Postagens

Mostrando postagens com o rótulo Crônica

CRÔNICA PARA UM FERIADÃO

Imagem
Pois a semana toda passei por um dilema: viajo ou fico em Curitiba. Antigamente, nem pensava, decidia logo e partia. Hoje não. São tantos os problemas, que precisamos analisar! As rodovias estão um inferno. Tomadas de carros, cheias de motoristas irresponsáveis e nas “despedagiadas”, só buracos. Você corre um risco enorme de nem chegar ao destino. Para voltar, então, é um Deus nos acuda. Congestionamentos e mais congestionamentos criam filas quilométicas e todos, ansiosos pelo retorno à casa, cometem barbaridades. Milhares de carros foram despejados nas cidades e nas estradas e elas não sofreram nenhuma ou mínimas modificações. Não sou contra a conquista que o povo teve de possuir seu carro, falo da ineficácia dos administradores que estão perplexos, mas não fazem nada para solucionar ou amenizar o problema. Pois bem, vamos analisar uma saída num feriadão aqui de Curitiba. Você tem algumas opções: ou se vai para o litoral, ou se vai para o interior. Raros escolhem a Régis Bitencourt...

CRÔNICA PARA OS 319 ANOS

Imagem
Olho Mágico Curitiba comemora, hoje, 319 anos. Morar aqui nesta cidade é uma satisfação. Só entende o quanto ela é respeitada, evoluída e admirada quem viaja para outros lugares. Nessas ocasiões temos a possibilidade de comparar e sentir que estamos bem a frente. Todos, imediatamente, associam a cidade à limpeza, à ordem, ao frio, aos monumentos famosos que possui. Lembram suas praças organizadas e avenidas largas. A capital mais européia do Brasil. A maior cidade do sul do país. Mas, aliado a tantas qualidades, Curitiba também tem os seus problemas. Já não vivemos mais naquele mar de tranquilidade! Por todos os lados - do centro aos bairros - convivemos com problemas de segurança, drogas, assassinatos, assaltos e perturbações do sossego antigo. São problemas que aumentam e amedrontam seus habitantes. Ao lado das belezas de um Jardim Botânico, de um Parque Barigui, de uma Ópera de Arame, de um Passeio Público, de um Parque Náutico do Iguaçu, ou das luzes e cantos de um Palácio A...

IDEALIZANDO

Imagem
Logo pela manhã bem cedo levanta para fazer o café. Enquanto eu gasto o tempo com a higiene, ela desce rapidamente para preparar as coisas. Não demora dez minutos e está pronto. Acomodo-me à mesa para a primeira refeição. Ela já está cuidando de outras coisas. A cama vai sendo arrumada. A janela do quarto aberta traz sol e vento, eliminando o ranço da noite. Entende que sempre tenho um dia inteiro pela frente. Começo de um dia, muitas coisas para serem feitas. Já fora mulher completa a noite toda: abraços, beijos, soluços, mimos, sexo demorado. Compromissos simples, mas que somente ela sabia torná-los importantes. Não se sentia pequena pelos mais humildes, nem se engrandecia quando executava atividades difíceis. Idéias machistas e complicadas essas minhas!

A CHINA ACORDOU

Imagem
Somos protagonistas de uma guerra diferente. Uma minoria sa-be que ela existe e quase ninguém consegue perceber o quanto é devastadora. Poucos sabiam e ninguém, até agora, havia entendido a reco-mendação de Napoleão Bonaparte: deixem a China dormir, alertando para que não a acordassem. Só agora se consegue entender o real sentido e a visão profética do famoso Imperador Francês. Pois bem, não sei se a acordaram ou se o sono terminou. A ver-dade é que ela já estendeu seus tentáculos pelo mundo e começa o trabalho vagaroso e planejado de domínio completo. O exército que utiliza é a sua população (mais de um bilhão de soldados). Essa população nem sabe o que está fazendo e para quem. Feita escrava, trabalha para sobreviver, por ninharia. Sente-se feliz porque tem um emprego. Em consequência desse trabalho explorador (na China não há greve de trabalhadores), os produtos se tornam baratos e as in-dústrias do mundo não conseguem competir. Estão indo à falência, às voltas com os exageros ...

IMPASSE

Imagem
O sol descia no poente. Início de noite ainda com céu azul, num clima ameno de verão. A praça se apresentava tomada de visitantes, distribuindo sons agudos e risos alegres. Pais, com seus filhos pequenos, tomavam todos os lugares dos parquinhos e se esparramavam pelos gramados. Também os aparelhos da terceira idade eram ocupados pelas crianças. - Deixa o tio fazer seus exercícios – falou o sessentão - entendendo estar sendo usurpado nos seus direitos. - Pai, olha o tio – quer que eu deixe para ele – falou o menino, não querendo abandonar o aparelho. - Deixa, Bruno... - Não..., eu quero brincar! - Isso não é lugar para brincar – falou o senhor. - Deixa o menino brincar –, falou a mãe. - O lugar das crianças fica lá. - Lá não cabe mais ninguém. - Bem que o senhor poderia deixar que brincassem,criança é criança. - Isso não é lugar para brinquedo. - As crianças gostam. - Vai chegar a vez deles. - Velho chato! - Veja: "Academia da Terceira Idade". - Vamos para casa,...

A CIRURGIA

Imagem
Porque o homem - já anestesiado e deitado -  começou a apresentar uns sintomas estranhos, sentiu necessidade de saber algumas coisas sobre o paciente: - O senhor tem algum problema de saúde? – interrogou o Dentista. O homem, naquela situação, deitado sobre a cadeira, com a boca aberta, um tampão a lhe cobrir o rosto,  bochechas e língua amortecidos, simplesmente esboçou algumas palavras inaudíveis.   Ficou a se perguntar se o dentista não sabia que era impossível falar alguma coisa naquelas circunstâncias. Tivera tanto tempo de preparativos e vinha ele  perguntar-lhe agora se tinha algum problema de saúde? De sua parte estava consciente que as dúvidas que tinha havia perguntadas e esclarecidas todas. Sabia que o procedimento demoraria em torno de uma hora. Que poderia estender-se a mais tempo se acontecesse algum imprevisto. Entrara para aquela cirurgia consciente e, dentro de suas limitações, esclarecido. - Tudo bem? Está doendo? – perguntava-lhe o assistent...

O BUUUM DO PORTO NATAL

Imagem
Para quem conheceu o Porto Natal, no rio Paraná, no município de Querência do Norte, nos seus primeiros anos e passou por lá agora, sabe que as coisas mudaram ali. E poderiam ter mudado muito mais. Lembrar do boteco do Cícero, coberto de sapé, vendendo cachaça da braba e cerveja quase sempre quente e ver o que tem hoje, evidencia os contrastes! Não tinha luz. Não tinha água tratada. Não tinha contenção de barrancas. Não tinha rampa para atracar os barcos. Não tinha nada. Imagina só uma festa como a que é feita hoje todos os anos! E, o que eu acho bonito: não tinha aquela placa com aqueles dizeres “Sejam bem-vindos ao Porto Natal! Divirtam-se, mas preservem as belezas do rio Paraná”! O grande responsável por essa transformação foi o Tiãozinho e a Dona Olga. Também o Horácio, a Nice e o Beto Natal. Acreditaram no local e a confiança que depositaram nele foi construindo as casas, as estruturas, espalhando ânimo. Lembro-me de quando estavam começando as mudanças. Participei delas. Aque...

A SOLIDÃO DAS ILHAS DO RIO PARANÁ

Imagem
O rio Paraná parecia um relógio armado no seu despertador, dando sinais quando a enchente estava para chegar. Todos os anos - lá pelo mês de novembro -  ia enchendo e só parava no final de janeiro. O que acontecia nesse período, somente os ilhéus e ribeirinhos eram capazes de contar. Certo tempo -  lá pela década de oitenta -  moravam naquelas ilhas aproximadamente cento e sessenta famílias. Todas pobres, doentes, sem instrução, que nem vontade de trabalhar tinham. Desestimulavam-se com as lavouras, pois era só plantar e a água levar quando chegava. Havia crianças maltrapilhas que corriam a se esconder, quando ouviam o barulho dos motores de popa chegando. Pensavam que era o pessoal da saúde vindo para lhes aplicar vacinas. Mas esse povo amava o lugar onde morava. A cheia já era coisa normal na vida deles. Sabiam que a Prefeitura viria socorrê-los quando chegasse a hora. Ficavam ali vendo o rio subir e aguardavam. A assistência sempre chegava trazendo barcos c...

DIA DO PROFESSOR

Imagem
Ligo o rádio, leio o jornal, assisto a televisão e em todos eles há menções ao “Dia do Professor”. Sinto que, na maioria, são lembranças superficiais, para não dizer falsas. Lembram por lembrar. Uma obrigação. Afinal, é ele quem tem a missão de ensinar e educar  o filho de todos. Verdade seja dita: a classe do professor é uma das mais abandonadas e esquecidas. Baixos salários, desrespeito por parte dos alunos, regime de trabalho desumano, estresse em 90% dela; indiferença dos órgãos educacionais e do governo, que faz um estardalhaço na mídea dizendo que está recuperando a dignidade da classe quando oferece 3% de aumento no salário. Uma amiga minha, de descendência japonesa, fala-me sempre que no Japão o professor é a única profissão a quem o Rei presta reverências. E no Brasil? Não passa de um "pobre coitado" que nem roupa decente pode comprar, pois o salário que recebe não lhe permite. Já o professor Jacir J. Venturi, em seu artigo da Gazeta do Povo de hoje: “So...