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OS DOIS LADOS

Ela está com oitenta anos, ele completa vinte. Ambos dormem, em plena segunda-feira, enquanto o sol racha lá fora. Os da casa passam sorrateiramente para não interromper o resfolegar da anciã, mas não se preocupam com o sono pesado do jovem. Também, não é justo que esteja a dormir a essas horas, em pleno dia de trabalho! Torcem pela permanência do sono dela, não se procupam com o dele. Ambos não haviam dormido durante a noite anterior. Ela pelas dores que sentia no corpo todo; ele, em consequência da agitação, da bebida e dos momentos aprazíveis da juventude. Aquele sono lhe trazia momentos de alívio e tranquilidade, num sono profundo proporcionado pelos remédios que, finalmente, dominaram-lhe o corpo; ele tinha um sono agitado, doía-lhe a cabeça, o corpo estava um trapo, boca ressequida, respiração ofegante. Não convinha que se preparasse o almoço dela; faltava apetite nele. Estive a pensar nesses extremos e conclui que a velhice precisa de dormidas para livrar-se do sofrimento e da ...