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Mostrando postagens com o rótulo Crônicas

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Ontem, logo cedo, eu ia para o meu trabalho seguindo pela Rua Paulo Setúbal, na divisa do bairro Boqueirão com o Hauer. Às 7h30min. os carros seguem sempre em fila, porque o movimento é muito grande. Precisa ter paciência para aguentar uma situação daquelas. Uma disputa por espaço onde o mais esperto sempre acaba ganhando. Uma briga seguida de sustos por causa dos motoqueiros. Mas o acontecimento que me assombrou e ainda agora, dois dias depois, mantém-me apreensivo, foi o que presenciei a minha frente, quando seguia naquela fila. A não mais que vinte metros, um homem de revólver em punho corria atrás de outro disparando tiros. O cano fumegava a cada puchada de gatilho. Nem sei quantos tiros foram, mas vi quando o que corria para se salvar, tombou. Certamente fora atingido. Não tive oportunidade de vê-lo estirado na calçada porque a fila me empurrava e tive que seguir. Pude ainda ver que o assassino, de revolver em punho,  corria e dobrava uma esquina, certo d...

CONTRATANDO SERVIÇOS

Sou um  assíduo frequentador dos consultórios odontológicos. Coisa que pouco fiz na infância, exagero agora. Não por gostar, por necessidade. Até hoje, confesso que nunca um dentista deixou de me garantir o trabalho que se propunha a fazer. E eu, diante das reiteradas garantias,  sempre acreditei e quase nunca me dei bem. A verdade é que o trabalho resiste uns dois, três anos e novamente estou eu às voltas com um monte de problemas dentários. Agora me sugerem -  como panacéia para todos os males -  o implante. Será a solução, garantem. Meus dilemas bucais estarão resolvidos. Poderei comer maçã inteira, me agarrar a uma costela a dentadas e saboreá-la como sempre sonhei. Estou propenso a realizar essa nova tentativa. Mas, por causa dessa minha assiduidade aos consultórios odontológicos, constatei ali problemas que normalmente se repetem. Pergunto: você já viu um sugador - daqueles que te colocam na boca para retirar a saliva quando o dentista trabal...

MONOTONIA

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Existem pessoas que são loucas e você entende e até aceita que sejam loucas. Vamos mais nos aprofundando e entendendo a "louquice" à medida que passamos a conviver com ela, ou com aquele ou aquela que carrega esses distúrbios. Pois aqui bem a minha frente -  nessa passarela privilegiada que fica lá embaixo e que há mais de três anos desfruto -  passa constantemente gente com as mais variadas características. Gente bonita, gente feia, crianças, jovens, idosos; a maior parte pessoas normais. A movimentação nunca para. Às vezes diminui, às vezes aumenta. Sobem ou descem pessoas sozinhas, em grupos, silenciosos, abraçados, correndo, gesticulando, aflitos e desinteressados. Todos, no meu entendimento, com os seus objetivos. Uns se percebe que passeiam, outros apressados vão caminhando céleres. Há semanas passando por ali, acabou despertando-me a atenção uma pessoa. Deduzi que este sim estava tomado pela doidice. Dedução precipitada? Não sei, mas fazer o que está fazen...
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Conviver trinta e cinco anos como marido e mulher reserva, às vezes, situações interessantes. No início, logo nos primeiros anos de vida conjugal, ela passa aos turbilhões. A nossa preocupação, quase sempre, está voltada com garantir o futuro. Criar os filhos assegurando-lhes condições para essa sobrevivência cada vez mais complicada. Não se tem a preocupação de que o tempo também chegará e com ele a idade. Pois agora, já vivendo nos sessenta, estamos precisando pagar um pecado cometido lá no começo. O menosprezo praticado com o tal do tempo. Ele vai encurtando horizontes, fechando janelas, acrescentando coisas que não existiam antes. E, muitas vezes, não se consegue romper com as barreiras, nem impedir que as janelas sejam fechadas. Pois o pecado que cometemos foi não aproveitar o tempo da forma como devia ser aproveitado. Por essa razão, a Lu está ausente para pagar esse pecado. E não está pagando só ela. Pago também. E pagamos distantes um do outro. Eu em Cu...

OS DENGOSOS

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Para entender esta fábula é preciso imaginar uma cidade de mosquitos da dengue. Eles estão vivendo num lugar que idealizaram e construíram com a participação dos homens. Se encontram felizes, alegres, conversando e despreocupados, pois ali não existem problemas e ninguém os perturba. Chegaram àquele lugar por acaso e vivem uma prosperidade. Nos encontros e festas que promovem comentam a sorte que tiveram. Nunca haviam encontrado um lugar tão bom como aquele para viver, criar seus filhos, fazê-los felizes e prósperos. Nas suas reuniões sociais comentam e não se cansam de bem-dizer a sorte. É pai feliz, mãe eufórica, filhos e filhas andando pelos campos e jardins em total liberdade. Que sorte a deles - comentam - fugiram de um lugar inóspito, seco e sem água e estão hoje vivendo nesse paraíso! Acabou a taxa de mortalidade infantil. Se multiplicam facilmente. Nem trabalhar precisam: encontram os berços prontos. Uma sugada aqui, outra ali. Descobriram que naquele lugar poderiam desposita...

DOMÍNIO PERDIDO

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Ele mandava em tudo. Ele era Rei. Ninguém contestava, todos obedeciam: - Avisem que é para fechar o comércio! E lá saía o exército dos divulgadores. Quinze minutos depois o recado estava dado e a ordem cumprida . - Informem à diretora daquele colégio que o seu nome está na minha lista! A diretora recebeu a ameaça, mas não falou nada. Requisitou policiais que demoraram para chegar. - O Jacaré deve morrer! No dia seguinte ele amanheceu duro sem que ninguém tivesse ouvido nada, nem tiros, nem gritos. Sem que ninguém se encorajasse a falar, quando a polícia chegou. - Vejam quem não está produzindo! E uma semana depois faltava estoque para vender. - Fiquem vigiando a entrada daquela rua! Em minutos as esquinas eram ocupadas e a polícia não tinha coragem de entrar. - Controlem as manobras das patrulhas! E os rojões espoucavam nos mais diversos lugares. Os chefes recebiam visitas e o dinheiro lhes era entregue em espécie. Naquele exército tinha crianças, muitos jovens, adultos e velhos. Ning...

OS ACIDENTES DA BR 376

T em me chamado atenção o crescente número de acidentes que está ocorrendo na BR 376 (rodovia que atravessa o Paraná de leste a noroeste), começando na divisa com Santa Catarina e terminando no rio Paraná, já às portas do Mato Grosso do Sul. Quero falar, mais particularmente, do trecho que liga Curitiba a Garuva - SC. Uma estrada duplicada, pedagiada e, até, bem conservada. Há dois pontos de pedágios e dos mais baratos que conheço no Brasil. A tarifa é de r$ 1,20 (um real e vinte centavos). Pois esse trecho de noventa quilômetros - de uma natureza exuberante, matas intactas e com as montanhas mais altas do sul - assusta pelo crescente aumento de acidentes. Sem exagerar, acontecem quase todos os dias. E não são acidentes pequenos, são grandes e destruidores, interrompendo a rodovia por horas e horas, criando filas de quilômetros e quilômetros, porque é a principal ligação para os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A maioria são de caminhões carregados, muitos com produtos ...