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ROTINA

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Quando os primeiros clarões do dia aparecem, estamos de pé e, rotineiramente, a vida nossa recomeça no cenário de mais um dia...! É sempre assim... uma rotina que não tem fim! Usa-se o vaso, jorra água do chuveiro quente, escovam-se os dentes, tira-se o sono da face, fecha-se a porta. Ela desce, sem fazer barulho na escada, enquanto eu ainda me espreguiço no final da madrugada. Mas de repente, quando pouco tempo passa, vem a fumaça. É o primeiro cigarro, antes de pôr água na chaleira. Ouço a tosse, sinto o pigarro e o meu ar puro termina, nessa prática constante, de entrega à nicotina. Chimarrão intercalado, entre tragadas e notícias. Depois um cafezinho, outro souza cruz que ela incendeia, enquanto a pia é desocupada. Tem roupa para lavar, tem cama para arrumar, tem casa para limpar. O crochê está esperando. Cinzeiro e o banco prontos, para o início dos trabalhos. Eu já estou nas ruas, envolto no trânsito louco, brigando para ter espaço, e chegar inteiro ao trabalho. Nove quilômetros ...

FLORES DE MAIO

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Há dez anos, as minhas flores de maio, soltavam flores no mês de maio, no religioso e costumeiro destino de florescer uma vez por ano, sempre no mês marcado. Não adiantava esperar que as flores chegassem antes ou depois, era sempre no mês de maio, fiéis como um calendário. Neste ano, observei admirado, a chegada de flores em janeiro, outras em março estão já com botões, algumas soltando folhas. Teriam as minhas flores se desregulado? Flores obedientes do passado, haviam se rebelado? Não... São flores querendo liberdade, diversificando a data de produção, fugindo da prisão, outros meses vão ficar perfumados...

ESCOLHA

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O menino já estava no outro lado da rua. Alcançaria a praça num instante quando a mãe gritou-lhe ameaçadora: volte... volte já... Mãieee - choromingou -, vou só ali... e quedou-se a pensar... Se não voltar, não tem computador amanhã... Só ali no parquinho, mãieeeeee... Volte, já te falei! Quedou-se o menino a pensar.... Decidiu-se pelos balanços e escorregadores, tentaria uma negociação depois.

MUDANÇA

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Olhando-me no espelho, senti saudade do meu cabelo preto: Estava quase todo branco-cinza, e havia poucos fios.

GEOGRAFIA

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T odas as cidades têm seus rios: Roma debruça-se sobre o Tibre, das pontes de arcos antigos. Paris ostenta o Sena, cheio de encantos e namorados. Lisboa se orgulha do Tejo, dos tristes fados. Madri tem o seu Manzanares, pequeno para uma cidade tão grande. Bagdá, o belo Tigre, dos inesquecíveis jardins supensos. Curitiba, o Belém, que mata o Iguaçu no nascedouro. Assuncion, o Paraguai, do pantanal brasileiro. Londres o seu Tamisa, da ponte e do Big Ben. O Hudson descansa em Nova York, ele que já teve duzentos metros de fundura, está hoje assoreado. O Amazonas passa por Belém e termina no mar, depois de banhar Manaus e criar a pororoca. Todas as cidades têm seus rios, São Paulo exigiu que lhe dessem dois: o Pinheiros e o Tietê, um só seria pouco para poluir. Em Porto alegre há o Guaíba, que até parece um lago. O Nilo passa banhando Cairo, o Danúbio toca valsas saudosas em Viena, Budapeste e Belgrado. Buenos Aires a estender-se no Rio da Plata, que exigiu três rios para se formar. Tóquio,...