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JUNHO

J unho é tão rápido: nem bem começa termina, passa como um vendaval, ao embalo das pipocas, amendoins e quentão, recheado de meninas, que fazem festas juninas, na noite de São João! H á risos e alegrias, namoricos nas quadrilhas por conta dos muitos santos: tem Antônio, tem João, gente saltando fogueira, alimentando as folias. N ada aqui está ruim, tem Pedro e o santo Paulo, santos que não tem fim... R oupas de lá, blusas grossas, fogueiras já se acabando: falta lenha pra queimar e fumaça é puluição. E junho me traz saudade, junho é um mês tão diferente, nele também nasci, numa noite invernal, estranhando o frio do mundo embora fogueiras queimavam, naquele dia gelado, mas quente de tanto afeto. C omo ele, passo ligeiro, dissolvo-me pelas fogueiras, lembrando de meu passado, vivendo os junhos que chegam, sem me dar por satisfeito.

MAL ESTAR

C onvivo com o funcionalismo público estadual e sinto o descontentamento generalizado que se instalou pelo não pagamento dos 5% de aumento de salário na folha do mês de maio. Tinham esperanças, mas a folha saiu e o aumento não veio. S ão coisas que não dá para se entender. Dizem que isso não está sendo feito pela diminuição ocorrida na arrecadação do Estado. P ois esse aumento já está autorizado pela Assembleia desde março/2010 e ele é tão insignificante que não adiantam explicações. Torcem por uma folha suplementar.

ATRAÇÃO

C hegou desconfiado... Observou as coisas demoradamente: de norte a sul, de leste a oeste, com o maior cuidado. A rriscou um olhar fortuito, sentiu a primeira afinidade, numa magia que atrai e escraviza. N ão demorou, nem foi difícil, trilhar os novos caminhos. Deixaram-se explorar em todos os pontos cardeais. P assaram a sentir felicidade, o que faltava nele, estava nela, misturadas as energias veio o encantamento, sentiu-se o gozo, felicidade duplicada, incontroladas alegrias, desregrado contentamento... propósito mútuo: seria assim até o fim!

OS DOIS LADOS

Ela está com oitenta anos, ele completa vinte. Ambos dormem, em plena segunda-feira, enquanto o sol racha lá fora. Os da casa passam sorrateiramente para não interromper o resfolegar da anciã, mas não se preocupam com o sono pesado do jovem. Também, não é justo que esteja a dormir a essas horas, em pleno dia de trabalho! Torcem pela permanência do sono dela, não se procupam com o dele. Ambos não haviam dormido durante a noite anterior. Ela pelas dores que sentia no corpo todo; ele, em consequência da agitação, da bebida e dos momentos aprazíveis da juventude. Aquele sono lhe trazia momentos de alívio e tranquilidade, num sono profundo proporcionado pelos remédios que, finalmente, dominaram-lhe o corpo; ele tinha um sono agitado, doía-lhe a cabeça, o corpo estava um trapo, boca ressequida, respiração ofegante. Não convinha que se preparasse o almoço dela; faltava apetite nele. Estive a pensar nesses extremos e conclui que a velhice precisa de dormidas para livrar-se do sofrimento e da ...

PRESTANDO HOMENAGENS

Hoje quero prestar homenagens. Meus colegas de trabalho estão se realizando profissionalmente. O Carlos Alberto Rodrigues Alves assume como Chefe da Superintendência de Desenvolvimento Educacional - SUDE, da Secretaria de Estado da Educação, aceitando coordenar uma tarefa cheia de responsabilidades. Levou consigo mais uma companheira de trabalho lá do Conselho Estadual de Educação, a Rita Machado. Fiquei sozinho na minha sala, torcendo pelo sucesso dos dois. Dias passados, também a Siloé de Lourdes Costa, a minha Secretária Municipal de Saúde, na época que fui prefeito de Querência do Norte, tomou posse como Chefe do Grupo de Recursos Humanos da SEED, em Curitiba. Sinto-me orgulhoso e gratificado com o reconhecimento que estão tendo. Desejo aos três sucesso pleno em suas novas empleitadas. Mais do que nunca, torço para que vençam também esses desafios.

FOGUEIRA DE SÃO JOÃO

Quem não se lembra de uma fogueira de São João? Os jovens há mais tempo, têm lembranças claras dela! A noite da véspera do vinte e quatro de junho era uma data mágica. Noite sempre gelada, no sul, dificilmente chovia. A chuva deixava para vir após a festa.Nunca vinha antes que era para não molhar a lenha, vinha depois para apagar as brasas restantes que teimavam em ficar. Ainda hoje me pergunto e não tenho respostas às minhas interrogações. Ao redor de um fogo sagrado se reuniam, sem serem convidadas, dezenas, centenas de pessoas permanecendo a conversar, a rir, a beber, a ver o fogo consumir aquela madeira seca. Dançavam quadrilhas, faziam casamentos de mentirinhas, tomavam quentão, direcionavam olhares apaixonados. Queimavam-se pneus velhos também, mas eles não eram usados nas fogueiras feitas para se passar de pés descalços sobre as brasas esparramadas. Estourávamos bombinhas, buscapés, até alguns foquetes, todos comprados com enormes sacrifícios. Assávamos pinhões, batatas doces e,...

ATIVO E PASSIVO

A comodadas nas escadarias de uma praça, duas jovens haviam escolhido o local para um encontro normal de namoradas. Fosse numa cidade pequena corriam o risco de molestamentos, mas aquilo era comum numa cidade cosmopolita. O movimento intenso do local passou a sentir suas presenças. - Está vendo aquelas duas a se agarrar ali na escadaria? - comentava um, apontando o local. - Chegaram ainda há pouco, disse outro, aparentemente já se aprazeirando com aquelas cenas! - Que tristeza isso! - Tão jovens, tão bonitas e assim perdidas! - Não passam de dezesseis anos! - Que prazer estranho! - Beijam-se apaixonadas! - Vou avisar a polícia! - Não interfira na vida dos outros! - Deve ser muito triste para os pais! - São corajosas e assumidas! - Hoje isso é comum! - Não concordo, não dá liga! - Dá sim, vejam como se entrelaçam as línguas! - A polaquinha é mais agressiva! - A outra não reage, mas demonstra estar gostando. - Já liguei para o cento e noventa. - Não devia ter feito! - Disseram que não vi...