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AUSENTE

Estou sem notícias há mais de um ano. Sento ao computador ansioso. Encho uma taça de vinho, e a sorvo lentamente. Com quem buscar notícias tuas, pois escrevo e não me respondes? Celular calado... Telefone fixo diz que mudou de número. O mal do cosmopolitivismo: ninguém sabe, ninguém viu... Estará desaparecida? Cansou de jurar-me amor? Impôs-me o silêncio como castigo? Tento no email... aciono o feicebuque...  ninguém fala de você. Sonhei contigo nesta noite: Andavas sozinha num lugar desconhecido, umas roupas estranhas que não usavas antes, e parecias triste. Estrada cheia de curvas. Árvores interceptando o caminho. Sofrimento pela face. Olhar distante, sério e fixo, que não piscou nuns olhos vítreos . Chamei-a, Lúcia...! Não ouviu minha voz, Saltou um tronco que cruzava a estrada, E sumiu depois na curva. 

OS RISCOS DA PONTE

Num programa de televisão, indagado se a ponte Hercílio Luz corria o risco de desabar, um representante da empreiteira que faz os reparos da ponte foi enfático, dizendo que "corria o risco de desabar sim, caso não se fizesse sua estabilização". Sou leigo no assunto, não entendo o significado de “estabilização” na linguagem da engenharia, mas senti o risco a que o maior símbolo de Florianópolis está sujeito. Já imaginaram a capital catarinense sem a ponte pênsil? O difícil é entender como os responsáveis: governantes, políticos e empreiteiras vencedoras das licitações, deixaram chegar a um ponto desses. Faça um exercício mental tirando de sua imaginação aquela maravilha que liga o continente à ilha de Santa Catarina.  Resta-nos torcer para que ela aguente até o momento da “estabilização”. 

E DEPOIS DO DIA 13?

O Brasil está na vitrine mundial. Durante um mês, a maior parte do mundo volta-se para os acontecimentos esportivos que ocorrem aqui. Críticas, elogios, sensacionalismos, acontecimentos inusitados, tudo acontece no "País da Copa". Países decepcionando, países surpreendendo e a invasão de estrangeiros nos traz pontos positivos e negativos. Somos a vidraça, somos enaltecidos, invejados e também ridicularizados.   Mas o que causa inquietação é que a seleção brasileira ainda não inspira confiança. Deixou uma nação atordoada ao ganhar nas penalidades do Chile. Ninguém acredita piamente no título, que, após a Copa das Confederações do ano passado, parecia certo. Há seleções que estão amedrontando e algumas nos decepcionaram como a espanhola, a inglesa e a italiana. Os estádios -, em que pesem as dificuldades para deixá-los prontos -, estão maravilhosos. O dinheiro aplicado para deixar o País em condições de receber os visitantes da terra, ainda parece não ter sido computado....

PONTE HERCÍLIO LUZ

Governo catarinense decide cancelar contrato de Empreiteira que realiza reformas na ponte Hercílio Luz. Explico: O governador Raimundo Colombo, finalmente decidiu cancelar o contrato com a empreiteira Espaço Aberto, responsável pelas reformas da ponte Hercílio Luz. Para se garantir, busca amparo nos meios jurídicos corretos. Enquanto isso, a Empreiteira afirma que irá à justiça para assegurar seus direitos. Na verdade, a história da reforma dessa ponte -, símbolo de Florianópolis -, é antiga. A ponte tem 88 anos de existência. Levou quatro anos e meio para ser construída e os trabalhos de reforma se arrastam por aproximadamente 30 anos. Segue aquele velho ditado de que é mais fácil construir que conservar.  Alimentando um pensamento jocoso e hilariante: para demorar tanto tempo, a Empresa está retirando um parafuso por dia, lixando, pintando e recolocando em seu devido lugar. Não vai terminar nunca, pois ao atingir o último parafuso, terá que recomeçar tudo de novo, consid...

REAÇÃO INCONSCIENTE

Marilda não foi aquela filha que todo o pai e mãe almejam. Briguenta, eternamente insatisfeita, desobediente, logo aos doze anos perdeu a virgindade com um dos meninos da sua idade com quem passava seus dias ociosos. Aos quinze sumiu de casa e não foi fácil localizá-la aos 23, quando comunicada que o pai havia acabado de falecer, reclamavam por sua presença. Pensou se iria ao enterro. Quase não foi, mas acabou indo quando seu companheiro de aventuras se prontificou a levá-la. Afinal seria a última vez, e, naquelas condições, o pai não mais seria capaz de qualquer gesto de insatisfação, agressão ou repulsa. Viajou a noite toda e chegou à velha casa paterna quando o dia já começava a aparecer. Estava exausta, dominada pelo sono. Velório de gente pobre, quase ninguém a velar o morto. Na sala da casa o corpo descorado, posto num caixão de madeira rústica, jazia entre dois castiçais de velas amarelas que queimavam preguiçosamente. O pai, naquela situação, estava velho, feio  e indi...

ENCONTROS E DESENCONTROS

       Desmiolado esse moço! Que queria aos cinquenta anos? Tivera casa, comida, roupa lavada, cama quentinha, carinho da mulher a lhe oferecer sexo sempre que desejava. Três filhos que dele gostavam muito. Trocou tudo pelo prazer de viver só.   Sem controle. Sem os olhares atentos da família. Que escolha!         Agora se arrependeu. Não adiantaram os conselhos dos amigos, seguiu as suas idéias e as dos companheiros de noitadas.         Ela fizera tudo para tê-lo junto e dos filhos. Conhecia-o há trinta anos e entendia bem das suas fraquezas. Conselhos dera-os diariamente. Incalculáveis apelos fizeram-lhe as crianças.          Exposto, vive cercado de pessoas que não nasceram com o dom da proteção. Está a buscar guarida nos lugares sem aconchego. Felicidade não lhe parece ser aquilo que desfruta, mas o que anda a buscar, insatisfeito com as conqu...

ELA TIROU UNS DIAS

    Faz quinze dias que ela saiu. Não houve briga. Não é separação. Resolveu apenas visitar a mãe que disse estar doente. A princípio ele não achou nada errado. Até concordou que fosse. Entendia que os velhos precisam ser cuidados pelos mais novos.         Seria a oportunidade para conviver com uma experiência nova. Viver uns dias sem a mulher de vinte anos de convivência. Foi um experimento interessante, mas ela o enganou. Disse que ficaria quinze dias e já se passavam trinta. A saúde da mãe havia se agravado, justificou.         Ele, nesses dias, acumulou uma série de experiências. Algumas boas, outras ruins. Todas pedagógicas. No começo até achou bom ela ter ido. Não precisava ficar aspirando aquela fumaça asquerosa que havia passado pelo pulmão dela e agora vinha fazer uma segunda filtragem no seu.          Mas ficou órfão totalmente. Não tinha mais a marmit...