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O MANEZINHO E O COLEIRINHA

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 Achei estranho, mas curioso aquele homem que caminhava poucos metros a minha frente. Seguia pela calçada, levando consigo uma gaiola. Dentro dela um passarinho. Impressionou-me o cuidado com que conduzia aquela prisão e dentro dela um coleirinha. Parava nos cruzamentos, erguia a gaiola na palma da mão e o passarinho cantava aquele canto tão conhecido por todos os cantos de Florianópolis. O passarinho não parecia triste, por isso deduzi que quem canta está sempre alegre. E foi parando em quase todas as esquinas. E em todas elas o passarinho cantava. Lembrei-me dos dizeres de meu amigo João que em suas muitas histórias sempre falava que o manezinho é assim: não sobrevive sem um passarinho. Tem o dedo indicador torto de tanto carregar gaiola. Acheguei-me dele quando a gaiola estava na palma da mão e o coleirinha cantava entusiasmado. Para variar, era uma das tantas esquinas. Descobri, na área de uma casa não muito distante, uma gaiola e um passarinho que também cantava. Par...

AMOR EM TRÊS DIMENSÕES

Aos 17 anos, depois de rápidos ensaios amorosos, Débora decidiu dar um basta aos namoricos que vinha mantendo com Eduardo. Garoto da sua idade e mesma escola. Mocinha adolescente do primeiro ano da Escola Normal, ficara encantada com o professor, recém chegado, vindo da Capital. Muito jovem também ele - não passava dos vinte e dois anos - vinha despertando sentimentos apaixonados entre as alunas. Depois dos primeiros encontros, três anos se passaram até o casamento. Na véspera do evento ,- depois de haver passado todo esse período remoendo seu amor por Débora ,- Eduardo achegou-se dela e propôs que fugissem os dois. Sonhava construir uma vida juntos. Débora não aceitou e também nunca contou a proposta a ninguém. Atrevido esse Eduardo! O tempo passou...Rute -, sua irmã mais velha e Sônia, uma das últimas, na grande família de sete irmãs e três irmãos -, foram encontrando seus pares. A primeira havia casado um ano antes e fora morar na Capital; Sônia, após algumas aventuras amorosas qu...

RETORNO

Os meus seguidores e aqueles que já haviam se acostumado a ler minhas matérias, devem ter estranhado com a repentina e inexplicada paralisação.  Também eu senti isso, e, por várias vezes, tentei retornar sem que nada acontecesse.  Minha transferência de Curitiba para Florianópolis foi, sem dúvida, o motivo principal. A mudança de cidade acarreta enormes transtornos, nunca fáceis de resolver. Tudo é novo e estranho. Os hábitos são diferentes, as pessoas tem pensamentos e modos de vida que não conhecemos. Esta diferença se acentuou, pois, vindo da Capital paranaense, nos deparamos com os conhecidos "manezinhos" tão diferentes na maneira de falar e de agir! Hoje, já mais amanezado, já conhecedor de quase todas as praias e trilhas desta maravilhosa Ilha, estou decidido a reiniciar. Quero ocupar parte do meu tempo escrevendo -, paixão que havia abandonado e que me deixava aflito.  Sem dúvida, a ilha de Santa Catarina será a minha grande motivadora e inspiradora. 

DO LADO MAIS FRACO É QUE REBENTA A CORDA

Precisei cancelar -, por motivos maiores -, um voo da Azul, do Rio de Janeiro a Florianópolis.  Junto à empresa aérea não tive qualquer problema: o cancelamento foi rápido e desburocratizado. As dificuldades  ocorreram com a dona do cartão: VISA. Essa compra aconteceu no dia 12/02 e a viagem seria no dia 13/02. No dia 20/02, recebo a fatura do mês e encontro lançada a importância da compra da passagem e também da taxa de embarque, evidenciando que não havia acontecido o cancelamento. Por diversas vezes tentei contato com a operadora do cartão (VISA), mas todas as tentativas redundaram em nada. Ou a ligação caía, ou uma mensagem informava que o número estava incorreto, o que não era verdade. Por último tentei o Banco que intermediou e forneceu-me o cartão. A explicação foi rápida: havia sido efetivado o cancelamento, mas a devolução da importância somente aconteceria no mês de abril. Era necessário que fosse paga a importância lançada, que ela seria ressarcida no mês seg...

POR ONDE ANDEI

Passei o Carnaval de 2015, no Rio de Janeiro. Quer lugar mais certo para ver e conhecer o mundo carnavalesco? Opiniões divergem: há os que defendem Salvador; outros preferem Recife-Olinda. Não fui ao Sambódromo, mas tive a satisfação de assistir o carnaval que se desenvolve nas ruas do Rio. Esse é o carnaval original, o verdadeiro carnaval carioca, nascido da inata necessidade de fazer festa. Formam-se blocos uniformizados que desfilam pelas ruas cantando músicas carnavalescas interrompendo o trânsito com a anuência do povo. O motorista carioca convive com essa situação, aceita e até participa. Para nós, sulistas, é uma novidade. O povo daqui – acho que pela índole e origem - não é dado a essas atividades festeiras. Mais retraído, não gosta de passarela, não prestigia os desfiles; aproveita o feriadão para convívios familiares e descansos que não se assemelham aos praticados mais lá para cima. Mas voltando ao Rio de Janeiro, um comportamento praticado pelo povo colabora pa...

FRASE DE LUTERO

Dizem que Martinho Lutero -, lá por volta de 1540 -, teria proferido uma frase que vem atravessando os tempos: “O mundo de hoje é feito para os jovens.” Despreocupado com a autoria, assimilo este pensamento, pois sei que continua atualíssimo . Há, como esta, frases que não morrem, que atravessam os tempos e continuam atuais. Até parece que a atualidade não tem mais pessoas criativas e capazes de sentir os problemas que se perpetuarão. 

ANALISANDO SITUAÇÕES

Passados quase dois anos de Florianópolis, já me considero apto para falar um pouco da população que aqui habita, dos problemas que enfrenta, das carências e coisas boas existentes. A história conta que a cidade foi fundada por bandeirantes paulistas e que na sequência aportaram à ilha os açorianos. Estes foram os que asseguraram a posse ao reino de Portugal, ilha sempre cobiçada por espanhóis, ingleses e franceses, naquela época.    Hoje, além do habitante primitivo, Florianópolis é uma mescla de pessoas vindas de muitos lugares. Gaúchos, paranaenses, paulistas, cariocas, mineiros, enfim, representantes de quase todos os estados brasileiros estão presentes. Várias são as razões dessa chegada. Em razão disso, o famoso “manezinho” parece estar sofrendo uma influência marcante, se transformando e absorvendo os costumes dos que chegam, com sabidas dificuldades. Se formos nos dedicar a um estudo mesmo que superficial, com muita facilidade será possível constatar as di...