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LEMBRANDO MINHA IRMÃ

A Lidia morreu... Quer uma notícia pior, às três da madrugada, anunciando o passamento de uma pessoa querida?  Parecia um pesadelo... e o sono sumiu... Fiquei aqui pensando.. Lembranças tenho muitas e de muito tempo:  Da criança com quem brincava e convivia, Numa família de sete filhos, Com muita luta e extrema dificuldade. Tornou-se mocinha, sonhava com seus projetos! Dizia que teria uma fortuna,  E enfrentava os desafetos. E realmente ficastes rica: De amigos, De conhecidos,  De família De patrimônio.  Quantos pretendentes?  Me pedia para escrever as poesias, Que manda...

ORDEM DE MORTO

Em visita a um dos muitos cemitérios de Curitiba, encontrei uma frase que me chamou atenção: “Aqui jaz um homem muito a contragosto”. Confesso ter gostado dela. À primeira vista, serviu para concluir que lutar contra a morte é um constante trabalho do ser humano e sempre uma batalha inútil. Podemos espernear da forma como quisermos, mas ela, mais cedo ou mais tarde, virá. Lutamos para adiar o seu trabalho, porém ela se instala logo no primeiro segundo do nascimento, começando uma tarefa silenciosa e destrutiva.  Mas aquele indivíduo que esta...

AMOR ESGOTADO

Chegaste com tanta sede, que aquele copo transbordante foi muito pouco : bebeste de uma só vez, tomada de um desejo adolescente, achando que a felicidade se resumia, num simples sorver enebriante. de um instante! Eu te falei: sejas cautelosa! Beba de vagar, a rapidez não mata sede e  a água pode terminar. Não ouviste meus conselhos ... a tua frente resta um copo vazio, que não se enche, nem se recupera. Eu queria ser bebido lentamente, para poder lhe dar os meus prazeres, entregues à conta gotas. (Mario José Amadigi - Poemas Adultos)

QUANDO OS PARENTES NOS VISITAM

Sempre defendi a teoria de que nunca devemos deixar de visitar os nossos parentes. É muito bonito filho visitar os pais, irmãs visitar irmãs ou irmãos, principalmente quando moram longe um do outro. Para esses encontros os momentos mais apropriados são o Natal, Ano Novo, Carnaval e Páscoa. Reuniões familiares nessas datas tornam-se agradáveis. Acontecimentos relembrados, fotografias revistas, brigas comentadas. Consciência de que o tempo passou.  Sou também da teoria que as visitas não devem ser longas. Talvez três dias, no máximo cinco. Visitas prolongadas saturam,...

O MANEZINHO E O COLEIRINHA

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 Achei estranho, mas curioso aquele homem que caminhava poucos metros a minha frente. Seguia pela calçada, levando consigo uma gaiola. Dentro dela um passarinho. Impressionou-me o cuidado com que conduzia aquela prisão e dentro dela um coleirinha. Parava nos cruzamentos, erguia a gaiola na palma da mão e o passarinho cantava aquele canto tão conhecido por todos os cantos de Florianópolis. O passarinho não parecia triste, por isso deduzi que quem canta está sempre alegre. E foi parando em quase todas as esquinas. E em todas elas o passarinho cantava. Lembrei-me dos dizeres de meu amigo João que em suas muitas histórias sempre falava que o manezinho é assim: não sobrevive sem um passarinho. Tem o dedo indicador torto de tanto carregar gaiola. Acheguei-me dele quando a gaiola estava na palma da mão e o coleirinha cantava entusiasmado. Para variar, era uma das tantas esquinas. Descobri, na área de uma casa não muito distante, uma gaiola e um passarinho que também cantava. Par...

AMOR EM TRÊS DIMENSÕES

Aos 17 anos, depois de rápidos ensaios amorosos, Débora decidiu dar um basta aos namoricos que vinha mantendo com Eduardo. Garoto da sua idade e mesma escola. Mocinha adolescente do primeiro ano da Escola Normal, ficara encantada com o professor, recém chegado, vindo da Capital. Muito jovem também ele - não passava dos vinte e dois anos - vinha despertando sentimentos apaixonados entre as alunas. Depois dos primeiros encontros, três anos se passaram até o casamento. Na véspera do evento ,- depois de haver passado todo esse período remoendo seu amor por Débora ,- Eduardo achegou-se dela e propôs que fugissem os dois. Sonhava construir uma vida juntos. Débora não aceitou e também nunca contou a proposta a ninguém. Atrevido esse Eduardo! O tempo passou...Rute -, sua irmã mais velha e Sônia, uma das últimas, na grande família de sete irmãs e três irmãos -, foram encontrando seus pares. A primeira havia casado um ano antes e fora morar na Capital; Sônia, após algumas aventuras amorosas qu...

RETORNO

Os meus seguidores e aqueles que já haviam se acostumado a ler minhas matérias, devem ter estranhado com a repentina e inexplicada paralisação.  Também eu senti isso, e, por várias vezes, tentei retornar sem que nada acontecesse.  Minha transferência de Curitiba para Florianópolis foi, sem dúvida, o motivo principal. A mudança de cidade acarreta enormes transtornos, nunca fáceis de resolver. Tudo é novo e estranho. Os hábitos são diferentes, as pessoas tem pensamentos e modos de vida que não conhecemos. Esta diferença se acentuou, pois, vindo da Capital paranaense, nos deparamos com os conhecidos "manezinhos" tão diferentes na maneira de falar e de agir! Hoje, já mais amanezado, já conhecedor de quase todas as praias e trilhas desta maravilhosa Ilha, estou decidido a reiniciar. Quero ocupar parte do meu tempo escrevendo -, paixão que havia abandonado e que me deixava aflito.  Sem dúvida, a ilha de Santa Catarina será a minha grande motivadora e inspiradora.