UMA NOVA IGREJA?


Um artigo publicado na Gazeta do Povo de hoje, intitulado “Católicos perdem na quantidade e ganham na qualidade”, do sacerdote católico Joaquim Parron - presidente dos Missionários Redentoristas do Brasil e doutor em ética social - chamou-me atenção. Em especial o título, e foi ele que me levou a ler toda a matéria.

Como católico que sou, fiquei preocupado com a linha de idéias defendidas pelo autor. Alguma coisa estranha está exposta e defendida nesta sua justificativa, principalmente por que afirma estar satisfeito com a situação atual. Diz-se satisfeito porque a perda de fiéis católicos para outras religiões é compensada pela qualidade dos que permanecem.

Tenho a impressão que isso contrasta-se com sua função de missionário e contra também à idéia básica de Cristo, que disse que haverá um só rebanho. Cristo nunca fez distinções entre pobres e ricos, inteligentes ou burrinhos, qualificados ou desqualificados. Todos poderiam e deveriam fazer parte do Reino de Deus, não apenas os dotados de “qualidades”.

Se o caminho é a busca da qualidade, com o consequente menosprezo dos desqualificados, estamos buscando uma nova religião católica onde o que deve predominar é a “idéia eletizante”. O reino de Deus será um Paraíso diferente, habitado exclusivamente por gente sábia.

Não entendo a igreja católica como uma igreja voltada para a qualidade dos seus seguidores, pois isso seria uma discriminação que vai de encontro aos princípios básicos do cristianismo.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

FLORES DE MAIO

OS MENDIGOS DE ROMA

TEMPO DE PASSEIO