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O ESTARRECIMENTO POPULAR

A Mírian Leitão, comentando, no Jornal Nacional de hoje, 22/06, a situação política brasileira, principalmente as decisões que estão por sair nos Supremos Tribunais, proferiu uma frase no mínimo preocupante: “Não há uma solução boa.” Isto significa dizer que qualquer uma que for tomada, não será capaz de resolver os problemas existentes.  A que situação chegamos! A população, descrédula, mas observadora, parece conhecedora da situação e um fato que presenciei na saída de um Posto de Saúde, aqui no norte da ilha de Santa Catarina, mostra o quanto ela se encontra ligada.  Como todos sabem, há tempos já vem ocorrendo a falta de remédios populares e, agora, mais recente, tem faltado também vacina. Pois um senhor, pelas suas características, muito pobre, quando saía de um desses Postos sem conseguir os remédios que necessitava, comentou com uma pessoa que se encontrava a seu lado: “Agora os nossos políticos, porque não podem mais roubar dinheiro grosso das empreiteiras - estão pegando o dinh…

LEMBRANDO MINHA IRMÃ

A Lidia morreu... Quer uma notícia pior, às três da madrugada, anunciando o passamento de uma pessoa querida? 
Parecia um pesadelo... e o sono sumiu...
Fiquei aqui pensando.. Lembranças tenho muitas e de muito tempo:  Da criança com quem brincava e convivia, Numa família de sete filhos, Com muita luta e extrema dificuldade.
Tornou-se mocinha, sonhava com seus projetos! Dizia que teria uma fortuna,  E enfrentava os desafetos. E realmente ficastes rica: De amigos, De conhecidos,  De família De patrimônio. 
Quantos pretendentes?  Me pedia para escrever as poesias, Que mandavas para os seus namoradinhos, Pois dizia que minha letra era bonita. 
Quantos sonhos se descortinando pela frente.  Quantas dificuldades no caminho! Até que o coração achou seu par E foram os dois  Catar palitos e construir seu ninho.
E quanto mais pensava, mais me convencia: Não havias morrido... O pensamento demora para assimilar E quando precisa se justifica:  Ela estava bem viva, pulsando no coração dos filhos

ORDEM DE MORTO

Em visita a um dos muitos cemitérios de Curitiba, encontrei uma frase que me chamou atenção: “Aqui jaz um homem muito a contragosto”. Confesso ter gostado dela. À primeira vista, serviu para concluir que lutar contra a morte é um constante trabalho do ser humano e sempre uma batalha inútil. Podemos espernear da forma como quisermos, mas ela, mais cedo ou mais tarde, virá. Lutamos para adiar o seu trabalho, porém ela se instala logo no primeiro segundo do nascimento, começando uma tarefa silenciosa e destrutiva.  Mas aquele indivíduo que estava ali fora mesmo atrevido! Só o levaram para aquele lugar porque lhe faltou a vida. E foi quando a tinha, que determinou fosse registrado a sua insatisfação.  Depois desse achado, ando a me perguntar: há os que desejam morrer porque cansaram; há os que morrem porque querem; há os que lutam até as últimas forças para que isso não aconteça.  Os que não falam nada jazem ali sem nenhuma manifestação, apenas as duas datas: a do nascimento e a da morte.  O …

AMOR ESGOTADO

Chegaste com tanta sede, que aquele copo transbordante foi muito pouco: bebeste de uma só vez, tomada de um desejo adolescente, achando que a felicidade se resumia, num simples sorver enebriante. de um instante!
Eu te falei: sejas cautelosa! Beba de vagar, a rapidez não mata sede e a água pode terminar.
Não ouviste meus conselhos... a tua frente resta um copo vazio, que não se enche, nem se recupera.
Eu queria ser bebido lentamente, para poder lhe dar os meus prazeres, entregues à conta gotas.
(Mario José Amadigi - Poemas Adultos)

QUANDO OS PARENTES NOS VISITAM

Sempre defendi a teoria de que nunca devemos deixar de visitar os nossos parentes. É muito bonito filho visitar os pais, irmãs visitar irmãs ou irmãos, principalmente quando moram longe um do outro. Para esses encontros os momentos mais apropriados são o Natal, Ano Novo, Carnaval e Páscoa. Reuniões familiares nessas datas tornam-se agradáveis. Acontecimentos relembrados, fotografias revistas, brigas comentadas. Consciência de que o tempo passou. 
Sou também da teoria que as visitas não devem ser longas. Talvez três dias, no máximo cinco. Visitas prolongadas saturam, visitas breves deixam saudades. 
Quer ver coisa complicada é quando a irmã caçula da família visita, por exemplo, o irmão mais velho. Há, normalmente, uma diferença de idade acentuada e quando isso acontece, os filhos da mais nova oscilam entre três a oito anos; os do irmão mais velho já estão na casa dos vinte. Este tem a casa organizada, limpa, cheirosa, de paredes sempre com pintura nova, contrário do que ocorre com a man…

O MANEZINHO E O COLEIRINHA

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 Achei estranho, mas curioso aquele homem que caminhava poucos metros a minha frente. Seguia pela calçada, levando consigo uma gaiola. Dentro dela um passarinho. Impressionou-me o cuidado com que conduzia aquela prisão e dentro dela um coleirinha. Parava nos cruzamentos, erguia a gaiola na palma da mão e o passarinho cantava aquele canto tão conhecido por todos os cantos de Florianópolis. O passarinho não parecia triste, por isso deduzi que quem canta está sempre alegre. E foi parando em quase todas as esquinas. E em todas elas o passarinho cantava. Lembrei-me dos dizeres de meu amigo João que em suas muitas histórias sempre falava que o manezinho é assim: não sobrevive sem um passarinho. Tem o dedo indicador torto de tanto carregar gaiola. Acheguei-me dele quando a gaiola estava na palma da mão e o coleirinha cantava entusiasmado. Para variar, era uma das tantas esquinas. Descobri, na área de uma casa não muito distante, uma gaiola e um passarinho que também cantava. Pareciam co…

AMOR EM TRÊS DIMENSÕES

Aos 17 anos, depois de rápidos ensaios amorosos, Débora decidiu dar um basta aos namoricos que vinha mantendo com Eduardo. Garoto da sua idade e mesma escola. Mocinha adolescente do primeiro ano da Escola Normal, ficara encantada com o professor, recém chegado, vindo da Capital. Muito jovem também ele - não passava dos vinte e dois anos - vinha despertando sentimentos apaixonados entre as alunas. Depois dos primeiros encontros, três anos se passaram até o casamento. Na véspera do evento ,- depois de haver passado todo esse período remoendo seu amor por Débora ,- Eduardo achegou-se dela e propôs que fugissem os dois. Sonhava construir uma vida juntos. Débora não aceitou e também nunca contou a proposta a ninguém. Atrevido esse Eduardo! O tempo passou...Rute -, sua irmã mais velha e Sônia, uma das últimas, na grande família de sete irmãs e três irmãos -, foram encontrando seus pares. A primeira havia casado um ano antes e fora morar na Capital; Sônia, após algumas aventuras amorosas q…