O MANEZINHO E O COLEIRINHA


 Achei estranho, mas curioso aquele homem que caminhava poucos metros a minha frente. Seguia pela calçada, levando consigo uma gaiola. Dentro dela um passarinho. Impressionou-me o cuidado com que conduzia aquela prisão e dentro dela um coleirinha. Parava nos cruzamentos, erguia a gaiola na palma da mão e o passarinho cantava aquele canto tão conhecido por todos os cantos de Florianópolis. O passarinho não parecia triste, por isso deduzi que quem canta está sempre alegre. E foi parando em quase todas as esquinas. E em todas elas o passarinho cantava. Lembrei-me dos dizeres de meu amigo João que em suas muitas histórias sempre falava que o manezinho é assim: não sobrevive sem um passarinho. Tem o dedo indicador torto de tanto carregar gaiola. Acheguei-me dele quando a gaiola estava na palma da mão e o coleirinha cantava entusiasmado. Para variar, era uma das tantas esquinas. Descobri, na área de uma casa não muito distante, uma gaiola e um passarinho que também cantava. Pareciam conversar entre si. E assim se repetiu em quase todas os cruzamentos pelos quais passamos: havia sempre uma gaiola pendurada não muito longe, onde cantava um coleirinha. Havia muitas outras cadeias pelas imediações e em todas elas cantavam os coleirinhas formando um coro que se harmonizava, espalhando sinfonias pela cidade.


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