LEMBRANDO MINHA IRMÃ

A Lidia morreu...
Quer uma notícia pior, às três da madrugada,
anunciando o passamento de uma pessoa querida? 

Parecia um pesadelo...
e o sono sumiu...

Fiquei aqui pensando..
Lembranças tenho muitas e de muito tempo: 
Da criança com quem brincava e convivia,
Numa família de sete filhos,
Com muita luta e extrema dificuldade.

Tornou-se mocinha, sonhava com seus projetos!
Dizia que teria uma fortuna, 
E enfrentava os desafetos.
E realmente ficastes rica:
De amigos,
De conhecidos, 
De família
De patrimônio. 

Quantos pretendentes? 
Me pedia para escrever as poesias,
Que mandavas para os seus namoradinhos,
Pois dizia que minha letra era bonita. 

Quantos sonhos se descortinando pela frente. 
Quantas dificuldades no caminho!
Até que o coração achou seu par
E foram os dois 
Catar palitos e construir seu ninho.

E quanto mais pensava, mais me convencia:
Não havias morrido...
O pensamento demora para assimilar
E quando precisa se justifica: 
Ela estava bem viva,
pulsando no coração dos filhos
E na formação dos netos!
  
Lídia, que falta você faz!
Reveja... volte atrás... 
Por que nos deixar sozinhos! 

Não interessa que tiraste o meu sono,
Assim poderemos sonhar, 
Convenço-me de que não estás morta
Vejo-a tão viva!

Vou atrás de uma fotografia,
Daquelas que tens exposta na sala,
quero aliviar meu pensamento
E a vejo tão sorridente, 
Tão bonita, tão forte e tão alegre,
Que a convido para dançar aquela  valsa, 
Lembras? Aquela  que me ensinavas
E me fazia gostar?

Lembras-te das brigas de criança, 
Na época que limpavas a casa e cheia de zelo
Intransigente e decidida, queria tudo organizado, 
E me expulsava com os poderes do grito e da vassoura?

Acho bom suspender o teu velório, 
Não haverá enterro, 
A tua imagem estará sempre presente, 
Marcante, viva, eternamente, 
Neste tão fágil armazém humano. 

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