ELOGIO DA MADRASTA

Acabo de ler o livro Elogio da Madrasta, de Mario Vargas Llosa, escritor peruano prêmio Nobel de Literatura com a obra A Guerra do Fim do Mundo. 
Confesso que estava precisando de uma leitura assim para espairecer e mexer com certas atividades que necessitam de incentivos.

Obra criativa, mas pornográfica e tudo o que é pornográfico passa a ser gostoso. 
A história é um triângulo amoroso entre Rigoberto, Lucrécia e Fonchito (Alfonso).
Rigoberto é o chefe da família que, com a morte da esposa, Eloisa, acaba se casando com Lucrécia, quarentona elegante e fogosa, portadora de uma sensualidade que enlouquecia o marido.
Fonchito é o filho do primeiro casamento de Rigoberto, criança ainda.  Tanto Rigoberto quanto Lucrécia temiam que ele não aceitasse a união e criaria problemas aos dois. Mas essa preocupação se dissipou quando no aniversário de quarenta anos de Lucrécia, Fonchito deixou um bilhete em cima do travesseio da madrasta, parabenizando-a pelo aniversário e prometendo ser obediente e estudioso.

Naquela mesma noite, Lucrécia dirige-se ao quarto do menino para agradecer as palavras e vai de banho tomado e um roupão transparente. Ele a observa e pensa “meu Deus, você está quase nua!”. Segue um abraço, beijos pela face passam pelas orelhas e acabam chegando às bocas e línguas, para delírio do menino e excitação estranha da madrasta. Nas despedidas, Lucrécia ouve da criança novamente o compromisso de ser o primeiro na sala de aula e dar-lhe isso de presente. 

Tempos depois, quando a promessa se tornou realidade, Fonchito se achegou da madrasta e pediu-lhe se poderia dar-lhe um beijo como recompensa. Ela não só lhe permitiu, como lhe disse que poderia dar até dez. Aquilo se tornou uma rotina, mas foi gerando  certa desconfiança na mulher. Perguntava-se “seria mesmo verdade que o menino a amava tanto”?

Paralelo a isso, a vida conjugal de Rigoberto e Lucrécia segue cheia de paixões e inovações sexuais. Estão felizes pelos encontros amorosos que se oferecem e porque, ao contrário do que pensavam, Fonchito demonstra amar a madrasta.

Lucrécia decide acalmar o ímpeto do menino quando a empregada (Justita) lhe informa que todos os dias ele se esconde num lugar da casa onde pode observá-la tomando banho. Como medida punitiva corta-lhe os beijos e os abraços sem informar-lhe o motivo, diminuindo também as conversas rotineiras.
  
Dias depois a empregada volta com nova denúncia. Diz que o menino está escrevendo uma carta dirigida à madrasta e que vai se matar. Lucrécia se apavora, vai até o quarto, constata que a informação é verdadeira. Conversa demoradamente com ele e após isso, as carícias entre eles voltam a acontecer agora com mais intensidade ainda.

Rigoberto não sabe nada do que está se passando entre o filho e a esposa. Considera-se o homem mais feliz do mundo, plenamente realizado. A mulher aceita e juntos realizam todas as fantasias sexuais que ele propõe.

Um dia pai e filho conversam na sala de estar. Rigoberto está tomando sua costumeira dose de uísque. Fonchito comenta com o pai suas atividades escolares, confirma que será mesmo o primeiro da sala e cobra o presente prometido para o fim do ano.

Em meio à conversa o menino pergunta ao pai o que é “orgasmo”. Rigoberto explica, mas se espanta com o questionamento e quer saber onde ouviu ele essa palavra. Ele diz que foi a madrasta que lhe disse sentir quando recebia seus beijos e abraços.

Para finalizar Fonchito conta ao pai que acabou de escrever uma redação como trabalho de sala de aula que intitulou Elogio da Madrasta. Entrega o escrito ao pai que lê e apavorado pergunta ao filho se aquilo realmente tinha acontecido entre os dois. O menino confirma. O pai se desespera.

Dias depois, a empregada tem uma conversa com Fonchito e o acusa de ter sido o responsável pela expulsão de Lucrécia daquela casa e pelo repentino envelhecimento e tristeza de Rigoberto.

O menino, indiferente e aparentemente feliz, não concorda com as acusações da empregada. Pede que o deixe abraçá-la e beijá-la. Ela concorda. Ele joga-se com tanto ímpeto sobre a mulher que a excita a tal ponto de quase não resistir.  Somente à duras penas consegue livrar-se dele.

Aquela casa que era um paraíso de felicidade transformou-se num local de tristeza.

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