REFLETINDO

Prédio central que caracteriza a feira "Ver-o-peso".

Nos dias 25 a 27 do mês de abril, estive em Belém, capital do Pará. Num encontro do CODISE – Colegiado Nacional de Diretores e Secretários de Conselhos de Educação, do qual sou o Secretário.



Como em quase todos os lugares deste Brasil - sempre nos deparamos a presença dos colonizadores portugueses. Belém não foge disso. Depois de séculos, as marcas portuguesas permanecem ainda.


Os belenenses  orgulham-se de um mercado que existe lá: “Ver-o-peso”.  Falam nas ruas. Divulgam em suas músicas como uma relíquia, e, por esse motivo, despertam a curiosidade do visitante. Antes de conhecê-lo, procurei saber a razão do nome,  que poderia ser significativo, mas, no mínimo, esquisito.


Pois a explicação me veio rápida e simples: era o lugar - no período da Colônia, que Portugal obrigava a população a trazer seus produtos para serem pesados e descontados os impostos que iam para a Coroa.

Após a Independência do Brasil, aquele lugar se transformou numa enorme feira, quase a céu aberto. Ali é comercializado tudo o que existe, se não for tudo, o que produz aquele povo da cidade e vizinhanças.


Foto pessoal da Feira

Encontram-se expostos os mais originais produtos da terra, floresta e rios da amazônia, comercializados num espaço enorme que não é possível percorrê-lo durante um dia todo de andanças. É uma riqueza incalculável!
                                                                          ***
Minutos atrás, conferindo os “e-mails” recebidos,  encontrei um que veladamente comentava e criticava a situação econômica atual de Portugal e que, ligado a situação do "Ver-o-peso" me levou a uma reflecção.


Tive a felicidade de conhecer parte de Portugal, principalmente Lisboa, e conferir que no passado a situação econômica daquele país foi bem diferente. Na verdade, os portugueses tinham instalado um “Ver-o-peso” em todas as principais cidades de todas as colônias ultramarinhas - e não eram poucas - recolhendo dinheiro e retirando as riquezas naturais existentes, levando-as para Portugal. Os palácios e as igrejas portuguesas de Lisboa e vizinhanças estão repletos de ouro, que o país nunca produziu. Assim fizeram ingleses, franceses, italianos, espanhóis: exauriram as Colônias do que puderam.


Mas, apesar de tantos recursos expurgados, a situação entre a população portuguesa, o "povão",  nunca foi muito boa. Uma pequena parte da sociedade vivia "o período de fausto" usufruindo os “benesses”, indiferentes à forma como a riqueza era conseguida. Já na época campeava a corrupção, o roubo, a desonestidade entre os mandatários e políticos. E foi isso a maior herança deixada pelos portugueses ao Brasil. Um país que nasceu e se formou sob a égide da corrupção: a maior herança portuguesa. Só não quebrou naquela época e continua resistindo hoje, pelas incalculáveis riquezas que tem.




Eis parte da matéria que recebi pelo "e-mail" que comentei acima, escrito por Eça de Queirós em 1872, no seu livro "As Farpas”. Vejam o quanto essas palavras são atuais:


“Nós estamos num estado comparável apenas à Grécia: a mesma pobreza, a mesma indignidade política, a mesma trapalhada econômica, a mesma baixeza de carátcter. A mesma decadência de espírito. Nos livros estrangeiros, nas revistas quando se fala num país caótico e que pela sua decadência progressiva, poderá vir a ser riscado do mapa da Europa, citam-se em paralelo, a Grécia e Portugal.”

Pois bem, a análise e a perplexidade, fica por conta de cada um que ler o que foi escrito e refletido acima.

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