VAMOS... VAMOS...

Precisamos comprar comida,
abastecer a cozinha,
a Ilha está sem saída.
Não há tempo para plantar,
não há tempo para produzir.
As pontes já ocupadas,
isolam  o Continente.

Vamos construir túneis,
mas demoram em ficar prontos,
e a saída é urgente.

Os barcos deixaram suas marinas,
levando os ricos pra longe,
enquanto os pobres nos seus barquinhos,
naufragam pelas marolas.

Vamos deixar esta Ilha...
Falta comida,
faltam barcos,
faltam túneis
e os aviões não pousaram.

Vamos pra onde?
Festar em Jurerê Internacional?
Descansar no Santinho?
Surfar na Joaquina?
No Campeche sentir o vento?

Não há comida,
não há saída,
nem as tainhas encostaram.
pra socorrer os famintos.

Reúnem-se os necessitados.
Gritam, protestam, caminham,
riem entusiasmados.

Agora vai ter comida,
agora vai ter saída,
pontes por todos os lados,
na Solidão,
em Naufragados.

Olha as tainhas chegando,
olha os túneis construídos,
as ruas tão alargadas,
as praias recuperadas:
a Mole ficou tão dura,
a Brava parece mansa,
que enorme transformação!

Eu aqui no meu Campeche,
acordo de madrugada,
com o ronco dos aviões, 
ouço o barulho das ondas, 
imagino ter uma ponte
que me deixa chegar à ilha.
Lá vou encontrar minha comida,
lá vou ter o silêncio que quero, 
apreciar os coqueirais,
decifrar o recado dos índios,
caminhar em todas as trilhas
fazer a paz com os animais.

Imagino o povo indo...
Cartazes, luzes, sorrisos,
as pontes iluminadas.

Não fosse o manifesto,
as incessantes caminhadas,
os gritos, os urros, os saques,
tudo estaria no escuro:
Sem túneis,
sem pontes,
sem marinas cheias,
sem ruas largas,
sem escolas,
sem creches,
sem abrigos,
sem postos de saúde,
sem morros protegidos.

Ilha da Magia é esta que idealizo,
não aquela que cantam. 

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