FINAL DE SEMANA EM ITAPOÁ


Passei esse final de semana no litoral. Fiquei surpreso com a movimentação e a quantidade de veranista em Itapoá.
Não sou mais aquele assíduo freqüentador das areias e águas como antigamente. Nem eu nem a Lu. Um passeio matinal e outro à tardinha, nada mais que isso. No decorrer do dia passo a maior parte do tempo consertando coisas. Pequenos reparos que vou fazendo para deixar a casa sempre em ordem. Uma lubrificação nas dobradiças para pararem de ranger. Um conserto elétrico. Eliminação de vazamentos que vão aparecendo. Substituição de telhas quebradas. Limpeza do pátio. Fechaduras que vivem engripando por causa da maresia.
A rede é a minha mais fiel companheira. Uma boa leitura deitado nela, com intervalos de cochilos. Assisto a infindável procissão de banhistas que passando na rua em frente, descem para o mar logo cedo carregando esteiras, isopores, guarda-sóis, bolas e diversos outros apetrechos. Fiz tudo isso também. Vão logo no início das manhãs e retornam passado do meio dia. Voltam cansados, mas alegres de estarem no mar.

Não sei se estou certo, mas tenho um gosto particular: a primeira coisa que faço quando chego é comprar um pacote de quirera e esparramar por debaixo das árvores. O meu quintal é cheio de árvores, coisa rara na praia onde as casas são ensolaradas e a temperatura vai a quarenta graus. Na minha não: predomina o vento vindo do mar e o frescor das sombras das árvores.
Pois tenho um hábito: alimentar os passarinhos com as quireras que esparramo. Não demora muito e eles vão chegando. Vêm ariscos, cuidadosos, comem desconfiados e fogem a qualquer sinal diferente. No segundo dia a amizade já se restabeleceu e chegam às dezenas. Canários, pombinhas e uma diversidade de outros pássaros. Aprecio os canários amarelos. Têm um canto maravilhoso, são mais desconfiados. As afinidades demoram mais!
Mas, por causa desse meu zelo, frequentemente me pergunto se estou certo alimentando os passarinhos. Atraindo-os para uma convivência mais próxima com os humanos. Tenho a impressão de estar colaborando para torná-los mais preguiçosos. Não seria o correto deixá-los no seu "habitat", batendo asas a procura de comida?
Agora dei de atraí-los com frutas. Chegam sabiás, sanhaços, e muitas outras espécies que não conheço. Aparecem passarinhos maravilhosos. Todos coloridos parecendo felizes com a comida fácil. Descobri que também entre as aves existem paladares diferentes: uns só comem quireras, outros preferem frutas.

Estou certo que não tenho nenhuma vocação para ornitólogo, nem consigo explicar porque cheguei aos passarinhos. Comecei falando que fiquei admirado com o movimento das praias de Itapoá. Ruas cheias, calçadas lotadas, praias tomadas de gente a se banhar nas águas limpas ou caminhando pela areia.

Diante de tanta movimentação, é fácil admitir que a cidade mudou. Está com outra cara. Mais moderna. Perdeu aquela “natividade rústica” de anos passados. As praias estão mais organizadas. Na caminhada matinal ainda é possível ver o trabalho dos limpadores das areias que recolhendo o lixo deixado pelos banhistas vão enchendo suas carrocinhas. Elogiável procedimento que poderia menosprezar o trabalho braçal e substituir o primitivismo por uma coisa mais rápida e eficiente, mas que estaria tirando o pão de muitos trabalhadores.

Confesso-me satisfeito com o poder público de Itapoá. Trouxe para o município um progresso equilibrado que não parece estar poluindo a riqueza de suas águas, areias e mananciais, mas oferece conforto e satisfação para os que chegam.
Desde 1985 acompanho isso.

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