FALANDO DO PASSEIO


Para quem coordenou a construção de um Clube Recreativo, porque na cidade não tinha onde dançar nem pular carnaval, é difícil explicar a mudança que se instalou.
Pois é, não vi o carnaval passar este ano. Não pulei, não acom-panhei nada na televisão. Ouvi, apenas ao longe, as batucadas que chegavam abafadas.



Fui conhecer a Chapada dos Veadeiros, no município de Alto Pa-raíso, estado de Goiás. Hospedei-me, por dois dias, na cidade esotérica de Alto Paraíso.


Logo na chegada, um monumento em forma de disco voador dá as boas vindas, como a querer dizer que as coisas ali não são muito terrenas.

Os habitantes continuam afirmando que os extraterrestres - que deveriam ter chegado no final de 2000 - agora marcaram o fim do mundo para o dia 21 de dezembro vindouro.

Alto Paraíso (entrada)

Logo na chegada, enquanto me preparava para almoçar, fui a-bordado por uma senhora que pediu licença para declamar um poema, que disse ser seu. Meio surpreso, consenti. Falava da ci-dade de antigamente, da simplicidade que existiu ali, e, cheia de saudosismo, manifestava-se inconformada com o progresso, com a invasão e acabava dizendo que gostaria de voltar ao tempo antigo.

No fundo o que ela queria era vender seu livro de poemas. Escri-tora e poetisa ela, chamava-se Geraldina Lombardi e o nome do livro: "Altas Histórias do Paraíso".

Contou-me sua história de vida. Paranaense de Maringá que mui-to cedo veio para Curitiba onde, já professora, trabalhou na Se-cretaria de Educação da Água Verde. Coincidência, pensei comi-go!

Havia abandonado a cidade grande por causa de uma profunda depressão e foi encontrar sossego em Alto Paraíso, onde se cu-rou de sua doença e disse estar feliz por ter recuperado o gosto pela vida.

Li os seus poemas e achei-os  interessantes. Todos voltados para o misticismo que domina a cidade. Fatos verdadeiros, disse-me.


 

Mas o que fascina o visitante meio incrédulo como eu é a beleza do relevo da região. A chapada é maravilhosa! Suas cachoeiras, rios e trilhas, estendem-se por um cerrado cheio de vales encan-tadores.
Vale da lua

O Vale da Lua é o mais famoso. Nunca vi um cenário assim. É uma sequência de corredeiras, presentes ao longo do leito do rio São Miguel. Um panfleto que distribuem para orientar os visitantes, explica que “a área é composta de paraconglomerados da matriz cinza esverdeada com seixos flutuantes correlacionados à base do Grupo Paranã. Os grandes caldeirões são resultantes da atividade fluvial causando a dissolução do material carbonático presente tanto na matriz como nos clastos dos conglomerados. Pisamos no Planalto Central em rochas de dois milhões de anos. Essas rochas depois de grandes movimentos tectônicos sofreram fraturamento, esmagamento e afloraram.”


A região tem outros atrativos. As centenas de pousadas existen-tes estão lotadas. O cerrado, as trilhas e as cachoeiras também cheias de turistas. Caminham em grupos. Outros solitários. Uns tiram fotografias. Muitos se banham nas águas geladas de poços fundos e transparentes, para fugir do calor. Todos perplexos e fascinados com o que assistem.

Os vales perdem-se de vista e o horizonte está repleto de cadei-as intermináveis de montanhas. O solo é rústico, empedrado, onde as plantas retorcidas disputam espaços para viver. Porque é período de chuvas, estão verdes e algumas até exibem flores.


Morro da baleia

As imediações dos restaurantes de beira de estrada e também os da cidade estão tomados de carros. Os passeantes se aglomeram disputando mesas para saborear a comida goiana. Carne de sol, carne de lata, farofa de carne triturada no pilão, arroz com piqui, jiló, quiabo, galinha caipira. Comida gordurosa e forte, mas saborosa. Se você pedir água mineral, dizem que não tem e te oferecem "água da fonte".
O panfleto de propaganda engana quando diz que o “paraíso” está a 168 quilômetros do Distrito Federal”. São 250 de Brasília. Para tornar mais próximo, eles contam da divisa.

A pousada
Pois bem, não vi o carnaval passar este ano. O passeio ocupou-me por completo. Gastei as energias caminhando por trilhas, su-bindo e descendo serras, tomando banhos de cachoeiras e nos finais de tardes, assistia ainda o revoar das araras que voltavam para a cidade e vinham comer sementes nas mãos da filha da Dona Vazu, proprietária da pousada.


Coisa incrível: humanos, animais e natureza vivendo numa per-feita sintonia!



Comentários

Anônimo disse…
Ah, gostou? Preparem-se para a próxima parada... nieve en los Andes!!!
Abração
Fausto

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