GREVES CÍCLICAS

Não sei se já pararam para analisar, mas existem greves que acontecem todos os anos. Foi a maneira que os trabalhadores descobriram para conseguir algum aumento salarial. Aqui em Curitiba - acho que em outros lugares também -, há a greve anual dos transportadores de valores, a greve dos funcionários dos correios, a greve dos bancários. Existem outras que não me lembro agora.

Pois bem, vamos analisar individualmente: a dos transportadores de valores é um movimento diretamente ligado às instituições bancárias e empresas de grande porte. Como estratégia, o representante dessa instituição começa o trabalho de alerta uns dois a três meses antes. Pede aumentos e reposições salariais. Evidente que os envolvidos se negam a atender o pedido. Alegam se tratarem de reivindicações abusivas, impossibilidade de caixa. Aquelas desculpas esfarrapadas que todos já conhecem.

A dos funcionários dos correios não é muito diferente. Se os primeiros são prestadores de serviços mais ligados a bancos, estes trabalham para uma empresa estatal. Uma empresa que é estatal, mas que cobra, e muito bem, por todos os serviços prestados. Por incrível que pareça, determinados encaminhamentos feitos por "sedex" chegam a custar mais caros que se o interessado levasse a correspondência até o seu destino.

A terceira greve cíclica é a realizada pelos bancários. Fazem os mesmos pré-anúcios. Estipulam percentuais de aumentos, vêem seus pedidos recusados e marcam o início da paralisação. Forram as agências bancárias de cartazes e deixam acontecer. Em poucos dias os interiores das Agências estão uma bagunça só e os caixas eletrônicos quase não funcionam.
Pois bem, dois desses grevistas cíclicos estão ligados aos Bancos. O outro tem os seus laços voltados para o Governo.
Todos sabem que os bancos são as instituições que mais têm lucros, não só no Brasil, mas no mundo. Cobram até o fio de cabelo que você deixa cair ao entrar numa agência. Tratam mal dos clientes fazendo-os esperar em filas intermináveis.

Os Correios, meu Deus, os Correios, só podem estar sendo mal administrados, pois a arrecadação que têm pelos serviços que prestam extrapolam qualquer imaginação.

Os primeiros não querem dar aumentos aos funcionários porque isso proporcionará diminuição nos lucros dos banqueiros, dominados pela ganância, temerosos do empobrecimento. Os Correiros praticam a mesma política, pois as quantias utilizadas no aumento da folha de pagamento diminuirão o bolo que será dividido na prática e arte da corrupção.
Donos, patrões e grevistas acabam sempre se entendendo. Depois de um certo período de disputas e desentendimentos, selam seus acordos dando-se por satisfeitas as partes. Enquanto isso, o único prejudicado é o povo: não recebeu suas faturas porque o correio não entregou; vai pagar os compromissos com atraso, embutidos juros, correções, moras, etc.;  passará dias e dias enfrentando filas quando os atendimentos se restabelecerem; só muitos e muitos dias depois receberá as correspondências que se tornaram antigas; os bancos trabalharam com o seu dinheiro durante o período que faltou nos caixas eletrônicos.

Fico a imaginar: o povo não passa de uma árvore vistosa, exuberante, verde e sadia que aos poucos vai sendo tomada por ervas daninhas que se entrelaçam por entre seus galhos, sugando sua seiva e acabam por matá-la.

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