TRATAMENTOS DIFERENTES

O bairro é um dos bairros nobres da capital: Batel. O local, uma rua pequena com duas quadras apenas. Os prédios, edifícios de alto luxo, com no máximo dois apartamentos por andar, porteiros eletrônicos e vigias por todos os lados. Árvores enormes e frondosas sombreando os dois lados, dão uma típica conotação curitibana de agradabilidade, sossego e segurança.

Pois nessa rua, sim, nessa rua, o vento, numa dessas tempestades de verão, quebrou um galho de uma das árvores frondosas, jogando-o na via, com parcial interrupção do trânsito, ocasionando falta de energia e telefone nos prédios.

O surpreendente que, dez minutos depois do acidente, um verdadeiro esquema de guerra estava montado. Vieram dois caminhões guincho, um carro da copel, gente dos telefones, carros da prefeitura com uma quantidade de cones que rapidamente foram esparramados interditando a rua. 
Motosserras roncaram a tarde toda. Um caminhão próprio para carregar detritos foi enchendo com os galhos e folhas que eram cortados. Equipes do trânsito controlavam o acesso.

Não fosse a excessiva demora na execução dos trabalhos, a operação teria sido perfeita: os funcionários levaram dois dias para deixar tudo limpo.
É que discutiam, paravam, conversavam, uns até aqueceram suas marmitas e comeram ali, enquanto, lentamente, o tronco enorme ia sendo reduzido a pequenos pedaços.
Espantou o arsenal de medidas cautelares: capacetes, correias enlaçando o corpo, roupas fortes e grossas que dificultam até a movimentação dos funcionários, botas, protetores de ouvido, óculos grossos e fortes dificultando a visão, mas garantindo a integridade física dos homens.

Tinha mais: uma jovem senhora, bem vestida, tirava fotografias enquanto o trabalho lentamente se desenvolvia. Para encurtar a história: no final dos trabalhos eram seis veículos participando da operação protegidos pelos cones de qualquer acesso estranho. Para garantir eventuais desastres, operavam com todos os piscas-alertas ligados. A energia elétrica que havia sido interrompida retornou em menos de 30 minutos

Conclusão rápida e simples: a riqueza pode tudo. Como deve ser bom fazer parte desse lado da sociedade! Como é triste saber que uma árvore destas, se cair numa via localizada num bairro pobre, acaba por apodrecer no local e a energia poderá demorar dias para retornar! E somente volta depois que os usuários pobres apelarem para denúnicas na imprensa, que vai ao local, faz reportagens e mete a boca no trombone.

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