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SONHO MALUCO

O homem acordara lá pelas quatro da madrugada, muito aflito. Pescoço a escorrer lhe largo suor e os cabelos completamente molhados. Em meio à escuridão do quarto, sentiu que também o colchão onde dormira encontrava-se molhado. Pode vislumbrar a silhueta  da esposa sentada no lado oposto da cama,  que lhe fazia carinhos e o convidava para que  fosse sentar  ao seu lado. Dissera-lhe estar com insônia  e se preparava para levantar. Havia tido um sonho também , mas não conseguia lembrar-se dele.  O homem sentiu um leve estremecimento e disse que também...

O ESTARRECIMENTO POPULAR

A Mírian Leitão, comentando, no Jornal Nacional de hoje, 22/06, a situação política brasileira, principalmente as decisões que estão por sair nos Supremos Tribunais, proferiu uma frase no mínimo preocupante: “Não há uma solução boa.” Isto significa dizer que qualquer uma que for tomada, não será capaz de resolver os problemas existentes.  A que situação chegamos! A população, descrédula, mas observadora, parece conhecedora da situação e um fato que presenciei na saída de um Posto de Saúde, aqui no norte da ilha de Santa Catarina, mostra o quanto ela...

LEMBRANDO MINHA IRMÃ

A Lidia morreu... Quer uma notícia pior, às três da madrugada, anunciando o passamento de uma pessoa querida?  Parecia um pesadelo... e o sono sumiu... Fiquei aqui pensando.. Lembranças tenho muitas e de muito tempo:  Da criança com quem brincava e convivia, Numa família de sete filhos, Com muita luta e extrema dificuldade. Tornou-se mocinha, sonhava com seus projetos! Dizia que teria uma fortuna,  E enfrentava os desafetos. E realmente ficastes rica: De amigos, De conhecidos,  De família De patrimônio.  Quantos pretendentes?  Me pedia para escrever as poesias, Que manda...

ORDEM DE MORTO

Em visita a um dos muitos cemitérios de Curitiba, encontrei uma frase que me chamou atenção: “Aqui jaz um homem muito a contragosto”. Confesso ter gostado dela. À primeira vista, serviu para concluir que lutar contra a morte é um constante trabalho do ser humano e sempre uma batalha inútil. Podemos espernear da forma como quisermos, mas ela, mais cedo ou mais tarde, virá. Lutamos para adiar o seu trabalho, porém ela se instala logo no primeiro segundo do nascimento, começando uma tarefa silenciosa e destrutiva.  Mas aquele indivíduo que esta...

AMOR ESGOTADO

Chegaste com tanta sede, que aquele copo transbordante foi muito pouco : bebeste de uma só vez, tomada de um desejo adolescente, achando que a felicidade se resumia, num simples sorver enebriante. de um instante! Eu te falei: sejas cautelosa! Beba de vagar, a rapidez não mata sede e  a água pode terminar. Não ouviste meus conselhos ... a tua frente resta um copo vazio, que não se enche, nem se recupera. Eu queria ser bebido lentamente, para poder lhe dar os meus prazeres, entregues à conta gotas. (Mario José Amadigi - Poemas Adultos)

QUANDO OS PARENTES NOS VISITAM

Sempre defendi a teoria de que nunca devemos deixar de visitar os nossos parentes. É muito bonito filho visitar os pais, irmãs visitar irmãs ou irmãos, principalmente quando moram longe um do outro. Para esses encontros os momentos mais apropriados são o Natal, Ano Novo, Carnaval e Páscoa. Reuniões familiares nessas datas tornam-se agradáveis. Acontecimentos relembrados, fotografias revistas, brigas comentadas. Consciência de que o tempo passou.  Sou também da teoria que as visitas não devem ser longas. Talvez três dias, no máximo cinco. Visitas prolongadas saturam,...

O MANEZINHO E O COLEIRINHA

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 Achei estranho, mas curioso aquele homem que caminhava poucos metros a minha frente. Seguia pela calçada, levando consigo uma gaiola. Dentro dela um passarinho. Impressionou-me o cuidado com que conduzia aquela prisão e dentro dela um coleirinha. Parava nos cruzamentos, erguia a gaiola na palma da mão e o passarinho cantava aquele canto tão conhecido por todos os cantos de Florianópolis. O passarinho não parecia triste, por isso deduzi que quem canta está sempre alegre. E foi parando em quase todas as esquinas. E em todas elas o passarinho cantava. Lembrei-me dos dizeres de meu amigo João que em suas muitas histórias sempre falava que o manezinho é assim: não sobrevive sem um passarinho. Tem o dedo indicador torto de tanto carregar gaiola. Acheguei-me dele quando a gaiola estava na palma da mão e o coleirinha cantava entusiasmado. Para variar, era uma das tantas esquinas. Descobri, na área de uma casa não muito distante, uma gaiola e um passarinho que também cantava. Par...