MARIA EDUARDA



Maria Eduarda...

Foi ela o meu amor por longos anos.


Poderão até vir outros amores,

outros e muitos outros,

mas como o de Maria Eduarda,

tão sincero,

tão forte,

tão puro,

tão intenso,

cheio de segredos,

tão proprietário,

tão carente e tão precário,

isso não virá...!


Maria Eduarda era assim:

sempre possessiva,

eternamente gulosa,

atraente e escandalosa,

queria tudo para si,

e só pensava em mim.


Beliscava para impedir meu sono,

mordia-me o queixo,

acariciava minhas orelhas,

caminhando pelo pescoço,

vivendo seu intenso amor,

sem nunca pedir troca,

nas carícias aos meus cabelos.

Eu era um boneco ao seu dispor.


Mas um dia, abusou-me tanto zelo,

saturou-me esses cuidados,

que já me traziam enfados.


Pedi para que partisse Maria Eduarda,

já não queria mais a sua guarda.


Quanto engano meu...!

Senti falta do seu corpo quente,

que sempre se dava por inteiro.

Daquela pele gostosa,

macia, perfumada, quase oleosa,

sempre a querer mais,

transportando mistérios envolventes,

que espalhavam cheiros orientais.


Um dia, quis o destino,

depois que a saudade tornou-se grande,

saber que Maria Eduarda continuava viva.


O reencontro não mostrou os anseios da distância,

não renasceram os sentimentos antigos,

faltavam palavras,

não se direcionaram os olhares,

as mãos nem se tocaram,

ausentes estavam os cheiros,

ela parecia morta,

perdera a saúde,

eu...? eu...?

nem tocar Maria Eduarda pude.


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