ISOLAMENTO PARAGUAIO


Situação essa do Paraguai!

Os senadores aplicaram a Constituição e num piscar de olho substituíram o Presidente.

Que estava meio conturbada a administração Lugo isso estava, porém, que coisa estranha: democracia que age com rapidez, mas que peca por não oferecer defesa.

Depois disso os ânimos dos novos mandatários parecem ar-refecer-se: insinuam que não vão mais vender a energia de Itaipu ao Brasil (isso consta do acordo binacional considerando que o Paraguai não teve nenhuma participação financeira na construção da usina); ensaiam constantes fechamentos da Ponte da Amizade; evidenciam que os brasiguaios não estão sendo mais bem-vistos.
O próprio Presidente deposto - logo no início do seu mandato -  já chantageou o Brasil exigindo aumento no preço da energia proveniente de Itaipu.
Embora isso não fosse uma medida legal, o Brasil cedeu concedendo o aumento pedido.

Observo o mapa do Paraguai e vejo-o encravado na América Latina entre Brasil, Bolívia e Argentina. Sua única saída para o mar dá-se pelo rio Paraguai, continuando pelo rio Paraná.
Já travou guerras com todos os seus vizinhos. Venceu a do Chaco contra a Bolívia, mas sua população foi praticamente exterminada na Guerra do Paraguai. Perdeu território e seus habitantes ficaram reduzidos a crianças, mulheres  e velhos.

Possui terras altamente produtivas que chamou a atenção - em décadas passadas - de brasileiros que ali se fixaram tornando o País um dos grandes produtores de soja do mundo. Nada disso existia antes. Os que chegaram para solucionar o problema da produção, no passando, apresentam-se como um dos grandes empecilhos do presente. No entendimento atual, ocupam terras ilegais que deveriam estar nas mãos de paraguaios.

O povo paraguaio - pela sua índole e formação -  jamais conseguiria produzir da forma como se produz hoje. Conheço regiões daquele país  onde apenas vivem paraguaios e a situação ali é de pobreza e miséria. Terras semi-abandonadas e sem qualquer produção mantêm  pequenos rebanhos de gado pastando capim nativo, a se movimentarem  pachorrentos pelos campos divididos com arames de cercas enferrujados sustentados por palanques apodrecidos. Alguns mangueirões feitos de madeira roliça já sem condições de abrigar o pequeno rebanho existente.

A população, sem emprego e quase sem renda, sentada à frente de suas casas rudimentares passam a maior parte do tempo sem fazer nada.

Conheci alguns remanescentes que participaram da campanha paraguaia da Guerra do Chaco. Impressionava o orgulho que sentiam quando relatavam as batalhas heróicas e vitoriosas que travaram em defesa da pátria.

Mas numa análise fria e até triste, vejo o Paraguai como um país encurralado. Ao leste a potência brasileira, ao sul uma Argentina que pouco se opõe ao vizinho porque também não a perturba. Uma convivência silenciosa e incômoda está ao norte, onde bolivianos ainda não esqueceram a derrota que lhes foi imposta.

Agora, ouço as notícias e fico sabendo que os países do MERCOSUL, suspenderam a participação do Paraguai, na reunião de Mendoça, ocorrida nesta sexta-feira. Também teve sua suspensão decretada na UNASUL - União das Nações Sul Americanas.

Parece uma fera enjaulada esbravejando por todos os lados sem ser ouvida.

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