VAI AO DENTISTA?...


No dia 13/01/2012, postei neste "blog" a crônica que intitulei “A Cirurgia”. Nela, de forma indireta, eu tecia uma crítica aos odontólogos, evidenciando o despreparo que possuem, o apego financeiro exagerado que demontram e a forma indiferente como tratam seus pacientes, enchendo-os de esperanças que dificilmente são realizadas. (bom lembrar que há exceções, com profissionais honestos e competentes).

Na ocasião, aquele paciente fazia implantes dentários. Demorou mais de trinta dias para se recuperar da cirurgia. Seu rosto ficou totalmente deformado e cheio de hematomas. O dentista, ao ser procurado, disse que aquilo era normal.

No início daquela crônica o profissional, ao sentir um comportamento estranho no paciente, lhe pergunta se ele possuía algum problema de saúde. O homem estava anestesiado, boca cheia de ferros, língua grossa e insensível. Como iria responder? Aquela pergunta teria que ter sido feita antes, num trabalho pré-operatório, nunca naquela hora.



Se estiver com problemas dentários e pensando em procurar um dentista, leia isso. Fato verdadeiro ocorrido com o mesmo personagem da crônica anterior.



Contou-me ele que somente concordou com aqueles procedimentos porque o profissional lhe garantiu restabelecimento total e perfeição no trabalho.

A coisa que ele mais queria era poder morder uma maçã e saborear uma costela gorda. Recebeu total garantia de que os seus desejos se concretizariam.

Agora - passados mais de seis meses - o trabalho ficou pronto. Pronto no entendimento do dentista. A verdade é que nada disso que ele garantiu aconteceu. Nem pensar morder uma maçã! Os dentes definitivos parecem suplicar  que se evite o encontro com a costela.

E o pior de tudo: a dentadura ficou firme, mas está torta. Rir, nem pensar porque as gengivas que aparecem são muito maiores do que os dentes e feitas numa cor quase vermelha.

O rosto do pobre homem afinou e encheu-se de rugas.

A fala sai com dificuldade, emitindo um assobio nas palavras.

E o dinheiro pago? Muito! Muito alto! Um carro popular novo. É preciso pagar antes para receber os serviços depois.

 

O paciente foi procurar o dentista para ver o que podia ser feito. Informou-o que antes - quando sorria - nunca apareciam as gengivas; que os dentes antigos não eram tortos, parecendo dentes de cavalo; que nos bons tempos a fala saía com naturalidade, que se tornou motivo de gozações de seus amigos.

Outra coisa: perdeu o controle da saliva que agora escorre pelos cantos da boca sem que o pobre homem perceba.

 

Como os implantes foram feitos na parte superior, com a nova prótese instalada começaram a doer os dentes inferiores. Parece que não suportam as mordidas.

No parecer do profissional, tudo está normal e fez questão de recomendar algumas providências (que nunca foram feitas antes):

- para recuperar a fala terá que fazer aulas com fonoaudióloga;

- para eliminar as rugas do rosto e torná-lo como era antes, a solução é uma aplicação de botox;

- as gengivas salientes não têm como resolver;

- os dentes como estão apresentam-se corretamente colocados; - o controle da saliva será recuperado com o tempo;

- para higienizar a boca recomendou que comprasse um aparelho que só existe nos EUA e é adquirido via internet, com pagamento antecipado (avisou: se não houver higienização adequada corre-se o risco de perder os implantes, chegou a pedir se queria que ele fizesse o pedido, pois era representante do produto. Valor: R$ 470,00);

- para acabar com as dores dos dentes que começaram a doer será necessário fazer uma recuperação total da arcada dentária inferior.

O homem chorou. Estava certo de que havia sido enganado. Procurou outro profissional para uma avaliação. Trabalho de péssima qualidade -, concluiu o dentista procurado.

Se até agora havia gastado um carro popular, talvez com a metade de um outro poderia recuperar seu antigo sorriso, esconder as gengivas horrorosas que adquirira, teria sua fala recuperada e a saliva controlada. Mas se desejasse a extinção das rugas,  não poderia abrir mão do botox.

E a garantia? - atreveu-se ele a perguntar.
- Corrigir a gente corrige;  garantir, não se garante. A coisa começou errada.
















Comentários

Adorei seu blog, já estou seguindo. Bj

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