Estou, há anos, fisicamente longe da cidade de Querência do Norte, mas nunca me afastei dela mentalmente. Tenho acompanhado o seu andar sem nunca ter interferido, por entender que meu trabalho ou missão nessa cidade estava concluso. Isso não esmoreceu os laços afetivos e familiares, motivos que me levam com frequência ali.

Escolhi um novo modo de vida e não desejo mudá-lo. Só volto a manifestar minha opinião - que até pensei não fazer - por causa do episódio ocorrido com o Banco do Brasil, que está em Querência do Norte há muito anos, com uma parcela do meu empenho e de muitos querencianos que nem enumerar pretendo.

O trabalho de levar uma agência do Banco do Brasil para a cidade era entendido como sendo necessário e útil para Querência do Norte, e também lucrativo para o Banco. Foi ele, sem dúvida, o grande responsável por recursos e projetos que serviram para alavancar o desenvolvimento do município. Cito a ADECON – Associação de Desenvolvimento Comunitário de Querência do Norte com os muitos projetos que desenvolveu. Mas não teria conseguido tanta notariedade e sucesso, se aliado não tivesse um incontável número de querencianos que se empenharam trabalhando gratuitamente para realizar os projetos que o Banco financiou.

Agora, o que estão fazendo, estabelecendo exigências absurdas, querendo fechar ruas, criar calçadões, com o objetivo único de proteger uma agência bancária de assaltos é, no mínimo, absurdo. Uma mudança como o banco está propondo passa pela falta de democracia, pelo desrespeito constitucional de ir e vir, querendo alterar coisas que, certamente, a população nem teve tempo de ser consultada.

Terá o banco analisado que naquelas imediações existem diversas casas comerciais que serão prejudicadas? Terá concluido que o que estão propondo para a permanência é um fato inédito? Terá analisado que fechar uma agência unilateramente por tantos dias é um desrespeito àqueles que possuem contas bancárias e muito mais uma desconsideração à população?

Já imaginaram se o SICREDI - o outro banco da cidade - quiser estabelecer as mesmas exigências para permanecer? Já analisaram se numa cidade como Curitiba as agências bancárias decidissem aplicar mudanças idênticas? Jamais conseguirão porque é um despropósito e, todas as que fizerem, certamente serão multadas, arcando com as consequências.

E o Banco do Brasil é um banco que se diz social. Voltado para o progresso das comunidades pequenas e pobres. Sabemos que está protegido por seguros fantásticos, mas, mesmo assim, ameaça sair se não acatarem suas exigências. Sujeitos e expostos à violência todos estão.

Alguma coisa não está certa. A ideia e a filosofia do primeiro Superintendente do Banco – aquele que veio para os festejos de inauguração da Agência, há muitos anos atrás - era muito diferente da desse que chegou recentemente ameaçando acabar com tudo.

Que se faz necessário melhorar a segurança, todos sabem e entendem como um dos pontos prioritários da cidade e do município, mas acho estranho que o Banco do Brasil condicione sua permanência utilizando-se do velho estilo do “dá ou desce”. Conheço outras localidades que têm Agências do Banco do Brasil e não possuem um esquema de segurança como o que existe em Querência do Norte. Estão querendo ditar ordens a uma administração.

Torço - como cidadão querenciano que me sinto – que o impasse seja resolvido. Sei que as autoridades estão fazendo sua parte, mas o Banco precisa acabar com o radicalismo. Sem dúvida, a cidade de Querência do Norte é um amplo campo para que o Banco do Brasil possa desenvolver a filosofia que norteou sua criação.



Comentários

Anônimo disse…
Quem diria que os bancos estão usando a falta de segurança como argumento para encerramento de agências... E logo o BB, que abriu agências em qualquer cafundó do interior nos últimos anos. Abraço Fausto

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