COMPROMISSO


 Se existe uma pessoa que tem medo do mar, essa é minha sogra. 
Tem na cabeça que o mar vai cobrir todas as praias e  cidades litorâneas. Sente um medo inexplicável e é inútil dizer qualquer coisa contra.

Não falou nada, nem contra nem a favor, quando decidimos morar em Florianópolis.

Meu Deus, uma ilha, disse apenas certa vez. Depois silenciou.

Dia desses convidei-a para nos visitar e passar uns dias aqui. Nem pensar. Posso tirar essa ideia da cabeça, ela jamais virá.
Para amedrontá-la mais ainda, (nunca devia ter falado isso), disse-lhe que a ilha balançava. Ela arregalou os olhos e indagou assustada: balança? Balança, disse-lhe. Quando tem muito vento e o mar está agitado ela balança, afirmei. 

Santo Deus! Filhos de Deus, saiam desse lugar o quanto antes! Tanto lugar bom e seguro para morar, vão procurar um desses! 

Arrependi-me do que havia dito. Não devemos abusar das pessoas mais velhas! Elas têm as suas idéias e não adianta. Naquela sua simplicidade e pureza, não estão em condições de mudar seus pensamentos. 

Peço-lhe desculpas publicamente e quero afirmar que a ilha não balança. É pura invenção minha, brincadeira, imaginação. 
A ilha está mais firme do que nunca e lhe garanto que nada acontecerá se nos der o privilégio de uma visita. Prometo levá-la na praia para que ao menos possa molhar os pés. 

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