LEMBRANÇAS

Dia desses precisei fazer uma viagem meio de emergência. Minha mãe, já bem velhinha, tivera um problema de saúde e interpretei como bom sinal esse seu desejo de me ver. Fomos eu e a Lu, minha esposa.
Nos quase quinhentos quilômetros que separam Curitiba de Pato Branco, chegou uma hora que os assuntos acabaram. Ela reclinou-se no assento e cochilou, eu não podia me dar a esse luxo, mas que tive sono isso tive. O silêncio se instalou e apenas o ronco do carro quebrava a monotonia daquelas retas dos campos de Guarapuava.
Comecei a lembrar do passado. Do tempo que íamos de Querência do Norte, onde morávamos, para visitar os meus pais, irmão e irmãs em Mariópolis, depois em Pato Branco, já com mais parentes.
Juntos iam o Fausto e a Felipa ainda pequenos e arteiros. Brigavam, batiam-se, choravam, faziam uma bagunça no interior do carro o tempo todo. Chegavam a provocar balanços que desequilibravam o veículo.
Nós ficávamos nervosos e muitas vezes eu chegava a parar o carro para resolver a situação instalada. A Felipa, sempre mais fraquinha, em quase todas as viagens era acometida de um mal estar que acabava em vômito. Principalmente quando o carro era novo. Detestava o cheiro. O Fausto, maior e mais forte, muitas vezes excedia no uso de suas forças e tínhamos que intervir na proteção da menina. Nunca senti sono e nem a Lu dormiu no percurso daquelas viagens.
Pois nessa viagem tive saudade desse tempo! Passou sem ser notado e aquilo que achávamos uma tortura na época, estava agora revestido de boas lembranças. O espaço vazio da parte traseira do carro não poderia nunca mais ser ocupado pelos risos, gritos, alegrias, choro daquelas crianças que faziam aquilo tudo com a maior naturalidade, cheios de expectativas, e, às vezes cansados, perguntavam se ainda estava longe a casa da vovó.
Haviam crescido e estavam longe. Cada um palmilhando seus caminhos.
Ufa!... Uma freada brusca trouxe a Lu de volta que meia assustada pergunto-me o que estava acontecendo. Um caminhão ultrapassando na faixa dupla, respondi, e a lembrança sumiu, como também o sono que quase se instalou em mim.

Comentários

MULHER DE FASES! disse…
viajei com vc na narração!!essa estrada é chataaaaaaaa,detestooo, qdo vou pra Palotina, me cansooo..
deu uma saudade da minha infância agora....
ótima semana!!abçooo
fausto_amadigi disse…
As retas também são perigosas, ao seu estilo, não é mesmo?! Mas as viagens seguem, ainda que diferentes. Abraços com saudades.

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