O BUUUM DO PORTO NATAL


Para quem conheceu o Porto Natal, no rio Paraná, no município de Querência do Norte, nos seus primeiros anos e passou por lá agora, sabe que as coisas mudaram ali. E poderiam ter mudado muito mais. Lembrar do boteco do Cícero, coberto de sapé, vendendo cachaça da braba e cerveja quase sempre quente e ver o que tem hoje, evidencia os contrastes!

Não tinha luz. Não tinha água tratada. Não tinha contenção de barrancas. Não tinha rampa para atracar os barcos. Não tinha nada. Imagina só uma festa como a que é feita hoje todos os anos! E, o que eu acho bonito: não tinha aquela placa com aqueles dizeres “Sejam bem-vindos ao Porto Natal! Divirtam-se, mas preservem as belezas do rio Paraná”!

O grande responsável por essa transformação foi o Tiãozinho e a Dona Olga. Também o Horácio, a Nice e o Beto Natal. Acreditaram no local e a confiança que depositaram nele foi construindo as casas, as estruturas, espalhando ânimo.

Lembro-me de quando estavam começando as mudanças. Participei delas. Aquela frase da placa é minha e quando a escrevia, até fiquei na dúvida se a transcrevia com ou sem aspas. Coloquei as aspas porque ela já não mais me pertence. Ela é do Porto Natal e do rio Paraná! Um aceno de recepção amiga, um pedido para o sentido preservacionista que deve existir ali.

Sei que é bom desfrutar dos benefícios da luz que até os peixes devem ter estranhado no começo, da água tratada que eliminou a diarréia da criançada e distribuiu saúde, do atracadouro que não lambuza mais os nossos pés com aquele barro liguento de antigamente, das contenções nas barrancas que impediram o avanço do rio, do conforto que as casas construídas nos proporcionam.

Porém, com certa mágoa, mas feliz, agradeço a acolhida que meus amigos oferecem sempre que ali apareço. Não tive a felicidade de ter a minha casa no Porto Natal, porém nunca ninguém me enjeitou acolhida ou deixou de oferecer a sua, para que eu pudesse desfrutar do lugar, fazer as minhas pescarias e observar o rio Paraná sempre descendo rumo ao sul.

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