FOGUEIRA DE SÃO JOÃO

Quem não se lembra de uma fogueira de São João?
Os jovens há mais tempo, têm lembranças claras dela!
A noite da véspera do vinte e quatro de junho era uma data mágica. Noite sempre gelada, no sul, dificilmente chovia. A chuva deixava para vir após a festa.Nunca vinha antes que era para não molhar a lenha, vinha depois para apagar as brasas restantes que teimavam em ficar.
Ainda hoje me pergunto e não tenho respostas às minhas interrogações. Ao redor de um fogo sagrado se reuniam, sem serem convidadas, dezenas, centenas de pessoas permanecendo a conversar, a rir, a beber, a ver o fogo consumir aquela madeira seca. Dançavam quadrilhas, faziam casamentos de mentirinhas, tomavam quentão, direcionavam olhares apaixonados. Queimavam-se pneus velhos também, mas eles não eram usados nas fogueiras feitas para se passar de pés descalços sobre as brasas esparramadas.
Estourávamos bombinhas, buscapés, até alguns foquetes, todos comprados com enormes sacrifícios.
Assávamos pinhões, batatas doces e, no final, as brasas eram esparramadas e passávamos por sobre elas sem sermos queimados. Era a fé que todos tinham no santo. São João era poderoso, nunca deixava que fôssemos queimados naquela alegria incontida que sentíamos ao atravessar suas brasas.
Ninguém economizava lenha. Havia uma fogueira em cada esquina. Umas até grandes, outras menores, mas a noite de São João ficava iluminada o tempo todo, esparramando calor e fumaça pela cidade inteira.
Hoje elas quase desapareceram! As que ainda queimam nas vésperas de São joão, não trazem mais aquela singeleza antiga, nem ostentam o mistério que o santo incutia.

Comentários

Cláudia Tavares disse…
Nossa sogrão! Fiquei a pensar nas minhas Minas Gerais e todas as fogueiras de São João da minha infância. É realmente uma pena que tradição está se apagando. Mas, ano que vem, quem sabe possamos botar fogo na lenha do nordeste??? Olha aí o convite! Beijocas

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