CARLITA

Carlita, essa despudorada,
foi o meu primeiro amor,
que durou por muitos anos.

Ela amava os prazeres do corpo,
nunca tinha meio termo,
sabia a hora do beijo,
do lascivo abraço,
do olhar energizador
para chegar o seu objetivo supremo.

Carlita, ah Carlita!
Não tinhas pressa,
tinhas a certeza que a calma
agitava, arrepiava, enfraquecia, atingia,
transformando-a na causa maior
de todos os nossos pecados e prazeres.

Vertia quentes lágrimas sobre meus ombros,
para me contaminar.
Cerrava magistralmente as pálpebras,
para não ver o mundo,
enquanto mimava meu pescoço,
encostando sua pele morena.
Não dizia uma palavra.
E assim ficávamos numa conversa muda.

Um dia de inverno ela partiu...
Tão nova ainda!
Não deixou endereço
querendo esquecer o seu passado.
Tanta energia morta!

Nas longas noites de pensamentos soltos,
angustiado, coração sangrando
com uma dor maldita,
peito comprimido
aqui fiquei só a pensar em Carlita!

Comentários

Anônimo disse…
bonita a poesia.
bea

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